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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Assim agem os mega-bilionários


Por Mauro Lopes, no site Outras Palavras:

29/01/2016


Teve grande repercussão o estudo divulgado pela OXFAM segundo o qual 1% das pessoas mais ricas do mundo detêm mais riqueza que as demais 99%. 

No mesmo estudo, indicou-se que apenas 62 multimilionários têm riqueza equivalente à da metade da população do planeta.

 Veja aqui a íntegra do estudo em português. 

Agora, um conselheiro da entidade, que reúne 17 organizações não-governamentais, o russo Mikhail Maslennikov demonstrou como essa concentração é fruto de ação meticulosa das elites globais – veja a entrevista em português, veiculada pelo Outras Palavras clicando aqui.

A BBC Brasil apresentou em reportagem quem são os 62 multimilionários que controlam metade da riqueza mundial – leia aqui se quiser. 

Na reportagem da BBC há algo que é uma febre nas redes: listas. O texto apresentou os “Top Ten”, os 10 mais ricos.

 É uma lista reveladora do caráter do capitalismo. Da dezena listada, nove são conhecidos por práticas que incluem uso de mão de obra escrava, superexploração de trabalhadores e espionagem a serviço da agência americana de segurança (NSA).

O sistema ideológico do capitalismo enfia na cabeça e coração das pessoas histórias de “heróis” que fizeram fortuna com base em sua criatividade, genialidade, perseverança, intuição… É o que nos é vendido na mídia tradicional, pelo sistema escolar e acadêmico dominante, consultorias, publicidade… Mas os pés de barro desses “gigantes” ficam ocultos.

Vejamos a lista dos “10 mais”:

1. Bill Gates (US$ 79 bi) – a Microsoft é alvo de seguidas denúncias de uso de mão de obra em condições análogas à escravidão na Ásia, além de uso de crianças nas linhas de montagem – leia aqui.

2. Carlos Slim (US$ 77 bi) – empresas do império de telecomunicações do mexicano têm sido acusadas de condições degradantes de trabalho, especialmente em terceirizadas sob sua contratação, inclusive no Brasil – leia aqui.

3. Warren Buffet (US$ 72,7 bi) – é um ícone dos defensores do capitalismo, endeusado por eles, logo depois do “primeiro deus” (o dinheiro, claro). Fez sua fortuna investindo em empresas ao redor do mundo. Em 2015, sua holding firmou parceria com a 3G Capital, uma dessas empresas de fusões e aquisições ao estilo das mais selvagens dos anos 80: sua especialidade é fundir empresas e cortar milhares e milhares de pessoas. Buffet chegou a confrontar-se com acionistas de sua holding para defender as práticas de sua nova sócia – leia aqui.

4. Amancio Ortega (US$ 64,5 bi) – a Zara e outras empresas de Ortega são as líderes mundiais da chamada “fast fashion” (moda rápida), baseada em uso de mão de obra em condições análogas à escravidão no Brasil, Ásia e África – leia aqui.

5. Larry Ellison (US$ 54 bi) – sua empresa, a Oracle, está sob investigação na China pela acusação de ter colaborado com a NSA (agência de segurança do governo americano) no hackeamento das redes de universidades chinesas e de Hong Kong, do Ministério de Segurança Pública e do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do Conselho de Estado – leia aqui.

6. Charles Koch (US$ 42,9 bi) – ele e seu irmão David, proprietários de empresas de petróleo e outras, são grandes financiadores das articulações de direita golpistas na América Latina, de cientistas que se opõem às evidências do aquecimento global e do livre porte de armas – leia aqui.

7. David Koch (US$ 42,9 bi) – irmão de Charles, o sexto da lista.

8. Christy Walton (US$ 41,7 bi) – os irmãos Walton, controladores da Walmart (terceira maior empresa do planeta) implantaram desde sua fundação, em 1962, uma política de salários irrisórios e veto a qualquer tentativa de organização de seus trabalhadores –leiaaqui.

9. Jim Walton (US$ 40,6 bi) – irmão de Christy, a oitava da lista.

10. Liliane Bettencourt (US$ 40,1 bi) – a L’Oreal e sua controladora são as únicas sobre as quais não pesam acusações/evidências de maus tratos às pessoas ou ação contra seus direitos.

O caráter do capitalismo pelos seus “ídolos”.

Por fim, uma leitura imperdível se você quer entender o processo de concentração da renda e a impossibilidade de uma solução de paz e humana no contexto do capitalismo Um artigo do professor Ronaldo Herrlein Jr. Da UFRGS – leia aqui.

* Mauro Lopes é editor do blog Caminho pra casa.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Dívida e juros: a reforma necessária


27/01/2016 - Copyleft

carta maior 

Investir no mercado financeiro brasileiro é um dos negócios mais rentáveis do planeta. Os juros pornográficos são um dos fatores de desindustrialização.



Jeferson Miola
Oswaldo Corneti/ Fotos Públicas

Os prognósticos econômicos de 2016 para o Brasil, elaborados por economistas de diferentes matizes ideológicos, são no mínimo sombrios. Não faltam, naturalmente, aqueles que vislumbram cenários catastróficos; nenhum, porém, otimista.
 
 
A opção austericida e recessiva adotada pelo governo depois da reeleição de 2014 produziu os dilemas que o país enfrenta hoje: desemprego ultrapassando 10%, inflação de dois dígitos, paralisia da atividade econômica, quebra de empresas, perda bilionária de arrecadação, desinvestimentos, redução do PIB, expectativas pessimistas.
  
 
Se o governo continuar fazendo mais do mesmo, o prognóstico catastrófico tem imensa chance de se tornar verossímil. Num cenário de desestruturação econômica, será de pouca valia o ativo político e moral recuperado pelo governo em dezembro passado; mês em que foram revertidas no STF as tramóias golpistas do impeachment, em que Levy foi demitido, em que o gângster psicopata Eduardo Cunha foi acuado, e em que as mobilizações populares ocuparam massivamente as ruas. Nesta hipótese, Dilma até poderá escapar do impeachment, mas o governo será como um zumbi se arrastando nos três anos restantes de mandato.
  
 



Há um consenso de que as políticas executadas pelo Ministério da Fazenda e Banco Central estão colapsando o país. Não é preciso ser expert em economia para entender os resultados desastrosos provocados pela dívida e juros altos.
  
 
A dívida é um fator que impacta estruturalmente as finanças do país. O orçamento nacional é devorado em cerca de 30% com amortizações e pagamentos de juros da dívida. O movimento pela Auditoria Cidadã da Dívida usa uma metodologia que contabiliza as emissões de títulos para o refinanciamento do governo, e por isso sustenta que os encargos da dívida consomem quase 50% do orçamento da União.
  
 
O sacrifício imposto à população brasileira com o ajuste fiscal tem como principal objetivo produzir superávit primário. A grande obsessão com o superávit, entretanto, não é pela busca de excelência da administração fiscal e orçamentária, mas para fazer caixa para pagar juros e parcelas da dívida.
  
 
No exercício de 2015, só de juros da dívida [o BC não divulgou as amortizações do ano], o Brasil pagou 367,7 bilhões de reais. Apesar disso, a dívida que em dezembro de 2014 era de 2,295 trilhões de reais, cresceu para 2,793 trilhões de reais, e deverá atingir 3,3 trilhões no final de 2016, em que pese as centenas de bilhões de reais que o governo pagará neste ano.
  
 
Esta estranha matemática é resultante de uma lógica totalmente irracional e lesiva: quanto mais se paga, mais a dívida cresce. Em resumo:
 



Dez/2014: saldo da dívida: 2,295 trilhões

Ano de 2015: pagos 367,7 bilhões de juros

Dez/2015: saldo da dívida: 2,793 trilhões



Já a taxa de juros, que é uma das mais altas do mundo [senão a mais alta], corrói a economia nacional e deteriora as condições do endividamento do país.

 
Investir no mercado financeiro brasileiro é um dos negócios mais rentáveis do planeta. Os juros pornográficos praticados no Brasil são fator de desindustrialização e um atrativo para a atividade especulativa, não-produtiva. Afinal, se a especulação financeira com os juros pagos pelo governo assegura ganhos fantásticos, por que arriscar-se e investir na produção e na geração de trabalho, renda e empregos?
 
Embora os juros e a dívida sejam fatores estruturais da crise econômica, a discussão sobre alternativas para superá-la exime esta política monetária nefasta e prioriza viés regressivo e anti-popular de ataque à Constituição e aos direitos previdenciários, trabalhistas e sociais.
 
As reformas previdenciária e trabalhista são a agenda da hora. O noticiário insinua que o governo poderá oferecê-las de bandeja na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. A retomada do Conselhão depois de dois anos de incompreensível abandono, é em si um fato alvissareiro que não pode, entretanto, ficar marcado por um erro estratégico desses.
 
O governo não pode imitar o personagem que tolamente tenta sair da areia movediça agarrando-se ao próprio cabelo. Fazer mais do mesmo não é o remédio adequado para enfrentar esta crise braba. É preciso coragem e decisão para enfrentar os problemas estruturais que quebram o país.
 
A “reforma” da dívida e dos juros é a reforma que ajuda o país a sair desta situação caótica e retomar o caminho da produção, do crescimento, do investimento e do emprego. É a reforma que atinge não mais que uns punhados de especuladores, mas preserva as conquistas sociais de milhões de brasileiras e brasileiros que, de outro modo, se forem preteridos em nome do austericídio, perderão os motivos para bancar Dilma contra o golpismo do condomínio policial-jurídico-midiático.







Créditos da foto: Oswaldo Corneti/ Fotos Públicas

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Quem são as 62 pessoas cuja riqueza equivale à de metade do mundo


  • 21 janeiro 2016

BBC Brasil

Nesta semana, a organização não governamental britânica Oxfam divulgou os resultados de um estudo no qual afirma que o 1% mais rico do mundo já detém tanta riqueza quanto o resto dos habitantes do planeta.

Além disso, a ONG destacou que as 62 pessoas mais ricas têm tanto dinheiro e bens quanto metade da população global.

A lista tem dois brasileiros: o empresário Jorge Paulo Lemann, que atua em uma série de setores – como de cervejarias e o de varejo –, e o banqueiro Joseph Safra.

Leia também: Banco Central mantém taxa de juros: Entenda a queda de braço

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A Oxfam se baseou no ranking anual de bilionários compilado pela revista americana Forbes. Confira quem faz parte da lista:

Bill Gates (EUA) 

US$ 79,2 bilhões

Microsoft

AP

Carlos Slim (México) 

US$ 77,1 bilhões

Setor de telecomunicações

Reuters

Warren Buffett (EUA) 

US$ 72,7 bilhões

Berkshire Hathaway

AP

Amancio Ortega (Espanha) 

US$ 64, 5 bilhões

Zara

Getty

Larry Ellison (EUA) 

US$ 54,3 bilhões

Oracle

Getty

Charles Koch (EUA) 

US$ 42,9 bilhões

Diversos setores

Kochnews.com

David Koch (EUA) 

US$ 42,9 bilhões

Diversos setores

Getty

Christy Walton (EUA) 

US$ 41,7 bilhões

Wal-Mart

Getty

Jim Walton (EUA) 

US$ 40,6 bilhões

Wal-Mart

AP

10 

Liliane Bettencourt (França) 

US$ 40,1 bilhões

L’Oreal

Getty
PosiçãoNomePatrimônioSetor/empresaPaís
11Alice WaltonUS$ 39,4 biWal-MartEUA
12S. Robson WaltonUS$ 39,1 biWal-MartEUA
13Bernard ArnaultUS$ 37,2 biLVMHFrança
14Michael BloombergUS$ 35,5 biBloomberg LPEUA
15Jeff BezosUS$ 34,8 biAmazon.comEUA
16Mark ZuckerbergUS$ 33,4 biFacebookEUA
17Li Ka-shingUS$ 33,3 bidiversosHong Kong
18Sheldon AdelsonUS$ 31,4 bicassinosEUA
19Larry PageUS$ 29,7 biGoogleEUA
20Sergey BrinUS$ 29,2 biGoogleEUA
21Georg SchaefflerUS$ 26,9 birolamentosAlemanha
22Forrest Mars Jr.US$ 26,6 bidocesEUA
22Jacqueline MarsUS$ 26,6 bidocesEUA
22John MarsUS$ 26,6 bidocesEUA
25David ThomsonUS$ 25,5 bimídiaCanadá
26Jorge Paulo LemannUS$ 25 bibebidasBrasil
27Lee Shau KeeUS$ 24,8 biimóveisHong Kong
28Stefan PerssonUS$ 24,5 biH&MSuécia
29George SorosUS$ 24,2 bihedge fundsEUA
29Wang JianlinUS$ 24,2 biimóveisChina
31Carl IcahnUS$ 23,5 biinvestimentosEUA
32Maria Franca FissoloUS$ 23,4 biNutella, chocolatesItália
33Jack MaUS$ 22,7 bicomércio digitalChina
34Prince Alwaleed bin Talal AlsaudUS$ 22,6 biinvestimentosArábia Saudita
35Steve BallmerUS$ 21,5 biMicrosoftEUA
35Phil KnightUS$ 21,5 biNikeEUA
37Beate Heister & Karl Albrecht Jr.US$ 21,3 bisupermercadosAlemanha
38Li HejunUS$ 21,1 biequipamento de energia solarChina
39Mukesh AmbaniUS$ 21 bipetroquímicos, óleo e gásÍndia
40Leonardo Del VecchioUS$ 20,4 bióculosItália
41Len BlavatnikUS$ 20,2 bidiversosEUA
41Tadashi YanaiUS$ 20,2 bivarejoJapão
43Charles ErgenUS$ 20,1 biDish NetworkEUA
44Dilip ShanghviUS$ 20 bifarmacêuticosÍndia
45Laurene Powell JobsUS$ 19,5 biApple, DisneyEUA
46Dieter SchwarzUS$ 19,4 bivarejoAlemanha
47Michael DellUS$ 19,2 biDellEUA
48Azim PremjiUS$ 19,1 bisoftwareÍndia
49Theo Albrecht Jr.US$ 19 biAldi, Trader Joe'sAlemanha
50Michael OttoUS$ 18,1 bivarejo, imóveisAlemanha
51Paul AllenUS$ 17,5 biMicrosoft, investimentosEUA
52Joseph SafraUS$ 17,3 bifinanceiroBrasil
53Anne Cox ChambersUS$ 17 bimídiaEUA
54Susanne KlattenUS$ 16,8 biBMW, farmacêuticosAlemanha
55Pallonji MistryUS$ 16,3 biconstruçãoIrlanda
56Ma HuatengUS$ 16,1 bimídiaChina
57Patrick DrahiUS$ 16 biTelecomFrança
58Thomas & Raymond KwokUS$ 15,9 biimóveisHong Kong
59Stefan QuandtUS$ 15,6 biBMWAlemanha
60Ray DalioUS$ 15,4 biHedge fundsEUA
60Vladimir PotaninUS$ 15,4 bimetaisRússia
62Serge DassaultUS$ 15,3 biaviaçãoFrança

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