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domingo, 8 de janeiro de 2017

Sonia Braga critica "direita violenta", impeachment e Globo


Radicada em Nova York há mais de três décadas, e com raros convites de trabalho no Brasil, Sonia Braga foi a atriz brasileira com mais destaque internacional no ano passado.






https://diversao.terra.com.br/tv/blog-sala-de-tv/sonia-braga-critica-direita-violenta-impeachment-e-globo,873f19b80d6895c6dbcfaf6ebeb4b17ar9kml4p0.html?utm_source=Whatsapp&utm_medium=SOCIAL&utm_campaign=Whatsapp

A atriz discursa em festival de cinema realizado em Cuba (Foto: Divulgação)
A atriz discursa em festival de cinema realizado em Cuba (Foto: Divulgação) 
Foto: Blog Sala de TV

Sua atuação em Aquarius, do diretor Kleber Mendonça, rendeu a ela prêmios, elogios e novo impulso a uma carreira com momentos memoráveis, como em O Beijo da Mulher Aranha (1985).

Em Havana (Cuba), para participar do Festival Internacional do Novo Cinema Latinoamericano, a artista foi entrevistada em vídeo por uma equipe da rede de coletivos Jornalistas Livres.

Sonia Braga não fugiu à polêmica ao analisar o momento político do Brasil: "A direita que está se estabelecendo não só no Brasil mas no mundo é muito perigosa, violenta".

A atriz associa a ascensão dos conservadores a um retrocesso social. "Não sei quantas mulheres vão ter que ser retiradas de seus cargos, ou quantos negros, depois quantos índios, até que se permaneça a única raça que essa direita está acreditando, que é a raça branca", afirma.

Em maio, no tapete vermelho do Festival de Cannes, ela participou do protesto do elenco de Aquarius contra o impeachment de Dilma Rousseff. Sua postura continua a mesma.

"A transição do governo Lula para (o governo) Dilma teve um choque grande porque ela não tinha o carisma do Lula. (…) Como presidente, ela tinha um pouco de problema, mas… um impeachment? (…) Não se encontrou até hoje nada de criminoso (envolvendo Dilma) que tenha acontecido, esse é um problema muito grande."

Sempre lembrada por novelas de sucesso da Globo como Gabriela, Saramandaia e Dancin´ Days, Sonia não poupa a emissora, rotulada de 'golpista' por boa parte dos críticos do processo que resultou na perda do mandato de Dilma: "Ter uma rede de televisão, sim, é perigoso, porque controla a opinião pública".

Ela afirma ter amigos que trabalham no canal, mas ressalva: "Não são pessoas comprometidas com o sistema nem aceitam esse governo (do presidente Michel Temer)".

Aos 66 anos, a diva do cinema brasileiro falou ainda sobre a passagem do tempo. "Me perguntam às vezes 'como você se sente envelhecendo?' Mas tem outra opção? Se tiver, eu aceito."

Ao analisar Aquarius, no qual interpreta a engajada Clara, Sonia Braga filosofa: "É um filme de uma simplicidade incrível. Acho que a coisa mais difícil do mundo é você ser simples".

O vídeo da entrevista está disponível no canal Jornalistas Livres no YouTube.

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sábado, 7 de janeiro de 2017

4 DOCUMENTÁRIOS PARA COMPREENDER O SISTEMA PENITENCIÁRIO FEMININO NO BRASIL

Indicações de documentários para promover debates que nos levem a romper velhos paradigmas e superar preconceitos!

Empatia gera consciência que gera um mundo melhor! 🌟

Segue a lista:
4 DOCUMENTÁRIOS PARA COMPREENDER O SISTEMA PENITENCIÁRIO FEMININO NO BRASIL

1) Bagatela https://www.youtube.com/watch?v=VrgY_ol9lC4

2) As mulheres e o cárcere
https://www.youtube.com/watch?v=cTSgBhSU-dI

3) O cárcere e a rua
https://www.youtube.com/watch?v=fr3blY9FlOo

4) Se eu não tivesse amor
https://www.youtube.com/watch?v=TF8S5oGkL-c

6 DOCUMENTÁRIOS PARA COMPREENDER O SISTEMA PENITENCIÁRIO NO BRASIL

1) Entre a luz e a sombra
https://www.youtube.com/watch?v=rxCbhAQmfXM

2) Justiça
https://www.youtube.com/watch?v=94U2ypC4v0A

3) Juízo (sobre adolescentes em conflito com a lei)
https://www.youtube.com/watch?v=HfMcMIp_7Ao

4) O prisioneiro da grade de ferro
https://www.youtube.com/watch?v=2Oap5lUSp6w

5) Sem pena
https://youtu.be/2pctKmjMigQ

6) Quanto mais presos, maior o lucro
https://vimeo.com/96243525?width=1080

17 DOCUMENTÁRIOS PARA DEBATER HOMOFOBIA, LESBOFOBIA E TRANSFOBIA

1) Vestidas de noiva
https://www.youtube.com/watch?v=B5lbwvyqb_A

2) Leve-me pra sair
https://www.youtube.com/watch?v=mFaV5wMw3Vs

3) Protagonismo Trans
https://www.youtube.com/watch?v=k4yJ3ZoxaAg

4) The Pearl of Africa 
https://www.youtube.com/watch?v=7RG6_vZEXwQ

5) (Trans)parência
https://www.youtube.com/watch?v=Tj0XflQXu0k

6) Entre lugares: a invisibilidade do homem trans
https://www.youtube.com/watch?v=kJrTqw2HOwg

7) Negras lésbicas
https://www.youtube.com/watch?v=Ljmt-qGgBzo

8) A vida que não cabe
https://www.youtube.com/watch?v=pJYsrdJaByI

9) Uma dama de ferro
https://www.youtube.com/watch?v=zdtNOHia1qA

10) Os tabus sociais na percepção de gêneros e papéis sexuais
https://www.youtube.com/watch?v=8wDzXSlrs5Q

11) Bichas, o documentário
https://www.youtube.com/watch?v=0cik7j-0cVU

12) Em defesa da família
https://www.youtube.com/watch?v=apMVtUId4mA

13) O riso dos outros
https://www.youtube.com/watch?v=zqlRD3E72sI

14) Não Fique Calado Diante da Homofobia
https://www.youtube.com/watch?v=-gTc8IhzlQo

15) Be Like Others: Transsexual in Iran
https://www.youtube.com/watch?v=3rAaBJoOqpk

16) "T"
https://www.youtube.com/watch?v=0Sit-1ZEx40

17) A Jihad for Love -Jihad do Amor: homossexualidade e islamismo 
https://www.youtube.com/watch?v=0pBOFC1M8Gg

10 DOCUMENTÁRIOS PARA DEBATER GÊNERO, CLASSE E RAÇA

1) Doméstica
https://www.youtube.com/watch?v=NVl1wptZdS4

2) Mucamas
http://www.videocamp.com/pt/movies/mucamas-2015

3) The true cost
https://www.youtube.com/watch?v=OaGp5_Sfbss

4) 25 de julho: feminismo negro contado em primeira pessoa
https://www.youtube.com/watch?v=J6ev2V-Ee3U

5) Como se fosse da família
https://vimeo.com/111841020

6) Garapa
https://www.youtube.com/watch?v=0HUW_MICVVg

7) Meninas
https://www.youtube.com/watch?v=92WaYgChtDo

8) Dandaras: a força da mulher quilombola
https://www.youtube.com/watch?v=RSW3uEfk4QU

9) Mães de maio: um grito por justiça
parte 1 - https://www.youtube.com/watch?v=Y4STk8g3uI4
parte 2 - https://www.youtube.com/watch?v=yFwtI0C13Yw

10) Catadora de sonhos
https://www.youtube.com/watch?v=GK5-JdYxWjM

14 DOCUMENTÁRIOS PARA COMPREENDER A GUERRA ÀS DROGAS

1) Dancing with the Devil - Dançando com o Diabo
https://www.youtube.com/watch?v=jWPWa5hdj4E

2) Notícias de uma guerra particular
https://www.youtube.com/watch?v=EAMIhC0klRo

3) Falcão - Meninos do tráfico
https://www.youtube.com/watch?v=w6PWF1u3rhc

4) Morri na maré
http://apublica.org/2014/03/morri-na-mare-assista-ao-minidoc/

5) Entre muros e favelas
https://www.youtube.com/watch?v=sghpqM4g334

6) O Estopim
https://www.youtube.com/watch?v=fxNRBBWMq9c

7) Eu sei que a polícia vai me matar
https://www.youtube.com/watch?v=dVYGlrnT8vw

8) Cortina de fumaça
https://www.youtube.com/watch?v=K_N1q5DAri4

9) Helicoca - O helicóptero de 50 milhões de reais
https://www.youtube.com/watch?v=i_hJDNvaeKM

10) Sobre a falida guerra às drogas
https://www.youtube.com/watch?v=gCHP25xTz8o

11) Tráfico de drogas: A guerra que o mundo perdeu
https://www.youtube.com/watch?v=0bhnJuy6vtA

12) Histórias de uma guerra perdida
https://www.youtube.com/watch?v=GYHQWGe3L7U

13) Quando eu me chamar saudade
https://www.youtube.com/watch?v=JS2u9v4gj38

14) The House I Live In (Guerra contra as drogas)
https://www.youtube.com/watch?v=a0atL1HSwi8

9 DOCUMENTÁRIOS PARA DEBATER ABORTO E VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

1) Clandestinas
https://www.youtube.com/watch?v=7nikE1c5-Wg Ok

2) O aborto dos outros
https://www.youtube.com/watch?v=de1H-q1nN98

3) Fim do silêncio
https://vimeo.com/6251893

4) Violência obstétrica: a voz das brasileiras
https://www.youtube.com/watch?v=eg0uvonF25M

5) A dor além do parto
https://www.youtube.com/watch?v=cIrIgx3TPWs Ok 

6) O renascimento do parto
https://www.facebook.com/orenascimentodoparto/

7) Nascer no Brasil: Parto, da violência obstétrica às boas práticas
https://www.youtube.com/watch?v=Q9G5uyRKsyk

8) Somos lo que hacemos para cambiar lo que somos
https://www.youtube.com/watch?v=6B0qWB5fbOo

9) Historias de genero: violencia obstetrica
https://www.youtube.com/watch?v=iaJZmZm1S88

28 DOCUMENTÁRIOS PARA DEBATER RACISMO*

1) Olhos azuis
https://vimeo.com/67460531

2) Chacinas nas periferias
https://www.youtube.com/watch?v=53rQggrAouI

3) The Colour of Money - A História do Racismo e do Escravismo
https://www.youtube.com/watch?v=0NQz2mbaAnc

4) Raça Humana
https://www.youtube.com/watch?v=y_dbLLBPXLo

5) O negro no Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=zJAj-wGtoko

6) Ninguém nasce assim
https://www.youtube.com/watch?v=6H_xfUCLWBY

7) Racismo Camuflado no Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=zJVPM18bjFY

8) Negro lá, negro cá
https://www.youtube.com/watch?v=xPC16-Srbu4

9) Vidas de Carolina
https://www.youtube.com/watch?v=AkeYwVc2JL0

10) Negros dizeres
https://www.youtube.com/watch?v=yjYtLxiVQ7M

11) Mulher negra
https://www.youtube.com/watch?v=WDgGLJ3TPQU

12) Negro Eu, Negro Você
https://www.youtube.com/watch?v=lpT17VJpnX0

13)A realidade de trabalhadoras domésticas negras e indígenas
https://www.youtube.com/watch?v=s4UsjpFg2Vg

14) Espelho, Espelho Meu!
https://www.youtube.com/watch?v=44SzV2HSNmQ

15) Open Arms, Closed Doors
https://www.youtube.com/watch?v=uXqpOFBXjBs

16) The Brazilian carnival queen deemed 'too black'- A Globeleza que era negra demais
https://www.youtube.com/watch?v=3yp4Fg_eT_c

17) Boa Esperança - minidoc
https://www.youtube.com/watch?v=3NuVBNeQw0I

18) Você faz a diferença
https://vimeo.com/27014017#at=70

19) Memórias do cativeiro
https://www.youtube.com/watch?v=_Hxhf_7wzk0

20) Quilombo São José da Serra
https://www.youtube.com/watch?v=f0asl1-SpP4

21) 7%
https://www.facebook.com/usp7doc/

22) Menino 23
https://www.youtube.com/watch?v=4wmraawmw38

23) Pele Negra, Máscara Branca
https://www.youtube.com/watch?v=sQEwu_TJi0s

24) Introdução ao pensamento de Frantz Fanon
https://www.youtube.com/watch?v=mVFWJPXscm0

25) Invernada dos Negros 
https://www.youtube.com/watch?v=TCyu-Tb6D1o

26) A negação do Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=jJFCEpc7aZM&list=PLIZ9Dyq1zKSpZhKAvbk3Pa-UxD9FoQ3Vw

27) Sua cor bate na minha
https://www.youtube.com/watch?v=gm-WjcZwgvg

28) História da Resistência Negra no Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=68AApIpKuKc

*E vale lembrar que a maioria dos documentários das listas anteriores também são significativos para debater sobre racismo em áreas específicas. :)

13 DOCUMENTÁRIOS PARA DEBATER CULTURA DO ESTUPRO E FEMINICÍDIO

1)Justiceiras de Capivari
https://www.youtube.com/watch?v=49pUMIPABBY

2) India's Daughter
https://www.youtube.com/watch?v=JoGtGv2KS48

3) Índia, Um País Que Não Gosta De Mulheres
https://www.youtube.com/watch?v=8BhojKJSrD8

4) Canto de cicatriz
https://www.youtube.com/watch?v=DHYt-a5say8

5) The Hunting Ground
https://www.youtube.com/watch?v=GBNHGi36nlM

6) A Guerra Invísivel 
https://www.youtube.com/watch?v=M_yZ9ywEOMk&feature=share

7) Ghost Rapes of Bolivia - Os estupros fantasma da Bolívia
Parte 1 https://www.youtube.com/watch?v=TSlc_Zib2nw
Parte 2 https://www.youtube.com/watch?v=eCwMxAatmbg

8) Entrevista Gabriela Manssur
https://www.youtube.com/watch?v=bU9yOFvZNbU

9) A cada 11 minutos, uma vítima
https://www.youtube.com/watch?v=UdhlxCrx9Pc

10) Desumanidades
https://www.youtube.com/watch?v=NFPSS3qoWeU

11) The breast ironed girls
https://www.youtube.com/watch?v=4Jwl7QPf_vU

12) A Girl In The River
https://www.youtube.com/watch?v=gRuYdzPpMWU

13) It's a girl! É menina!
https://vimeo.com/100378967

17 DOCUMENTÁRIOS PARA DEBATER ISLAMOFOBIA E O RACISMO CONTRA ÁRABES*

1) Filmes Ruins, Árabes Malvados Como Hollywood transforma um povo em Vilão
https://www.youtube.com/watch?v=lI_qYcxe5_g

2) Somos franceses
https://vimeo.com/97124824

3) This is Palestine - Shadia Mansour
https://www.youtube.com/watch?v=wuj8lrE-9Qs

4) Versos migrantes
https://www.youtube.com/watch?v=hDGsbGHddYU

5) Malala
https://www.youtube.com/watch?v=cug1-eTOVSk

6) A Palestina Ainda é a Questão/Palestine Is Still The Issue
https://www.youtube.com/watch?v=EYvOQHExhnY

7) Os palestinos nos livros escolares de Israel (Como se faz a desumanização de um povo)
https://www.youtube.com/watch?v=GCcV7AtYgwo

8) Terror Sionista em Gaza
https://www.youtube.com/watch?v=8N6ZLcoSnlU

9) Tears of Gaza
https://www.youtube.com/watch?v=6LMAF1z4RiE

10) Fogos Sobre o Mármara
http://www.dailymotion.com/video/xj5bfw_fuego-sobre-el-marmara-xvid-parte-1-legendado-portugues-br_news

11) Budrus
https://www.youtube.com/watch?v=ff7rScVrbos

12) Atirar num elefante
https://www.youtube.com/watch?v=3UxKkDv3CTE

13) As crianças de Gaza
Parte 1 https://www.youtube.com/watch?v=0lbz3ptEpPs
Parte 2 https://www.youtube.com/watch?v=cwri-nDlu94
Parte 3 https://www.youtube.com/watch?v=tgSydBW8fCw
Parte 4 https://www.youtube.com/watch?v=8xBahIOoKMA

14) Ocupação 101
https://vimeo.com/23631320

15) Promessas de um novo mundo
https://www.youtube.com/watch?v=YkQmb37fxts

16) Islamophobia: Cause & Effect
https://www.youtube.com/watch?v=XEXl_sYwW8U

17) The Square
https://www.youtube.com/watch?v=twB2zAOzsKE

*"Apesar de muitas vezes serem tomados um pelo outro, esses três termos não são sinônimos. Certamente podem ter mais de um sentido, dependendo do modo como são empregados mas, geralmente, os encontramos utilizados a partir de uma distinção básica: o termo "árabe" geralmente é utilizado no sentido da língua, da cultura, da política ou da etnia e não no sentido religioso; o termo "islâmico" guarda o caráter da religião, mas também do Estado ou da cultura e não da etnia; o termo "muçulmano", aplica-se às pessoas adeptas da religião islâmica, mas que não são, necessariamente, árabes." - do livro Falsafa: a filosofia entre os árabes, de Miguel Attie Filho

14 DOCUMENTÁRIOS PARA DEBATER CAPITALISMO

1) Capitalism: A Love Story / Capitalismo: uma história de amor
https://www.youtube.com/watch?v=FaMRSjiL4IE

2) O Fim da Pobreza? / The End Of Poverty?
https://vimeo.com/69464025

3) Migrantes
https://www.youtube.com/watch?v=Laf1BwcGpgI

4) Man - Homem
https://www.youtube.com/watch?v=5XqfNmML_V4

5) História das Coisas
https://www.youtube.com/watch?v=x_PmgSf3LSs

6)Consumismo, Capitalismo e Neoliberalismo
https://www.youtube.com/watch?v=ZhSBHmDlxs8

7) 97% Owned - 97% Privado
https://www.youtube.com/watch?v=XcGh1Dex4Yo

8) Catastroika
https://www.youtube.com/watch?v=RXYAJF9ZmkY

9) A Corporação
https://www.youtube.com/watch?v=Zx0f_8FKMrY

10) O mundo global visto do lado de cá
https://www.youtube.com/watch?v=-UUB5DW_mnM

11) A Ascensão do Dinheiro
https://www.youtube.com/watch?v=LPnn2OBYIRY&list=PL0VcnQ92XNVYQatJF5bBZIhmoOl2j7kgs

12) A ponte
https://vimeo.com/14814248

13) Da servidão moderna
https://www.youtube.com/watch?v=Up8tjRRne_0

14) WalMart O Custo Alto do Preço Baixo
https://www.youtube.com/watch?v=YvURUfKLeG0

15 DOCUMENTÁRIOS PARA COMPREENDER A QUESTÃO INDÍGENA - CULTURA, GENOCÍDIO E RESISTÊNCIA

1) À Sombra de um Delírio Verde
https://www.youtube.com/watch?v=c2_JXcD97DI

2) Flor Brilhante e as cicatrizes de pedra
https://www.youtube.com/watch?v=7UHCVMQioew

3) A Nação Que Não Esperou Por Deus
https://www.youtube.com/watch?v=1cEq7ETB200

4) Índio cidadão?
https://www.youtube.com/watch?v=t-GUcjbEAJA

5) Indígenas digitais
https://www.youtube.com/watch?v=T2I7ovB6E7k

6) Povos Indígenas: Conhecer para valorizar
https://www.youtube.com/watch?v=MwMEuK-DfEw

7) Tribo Avá-Canoeiro: a história de um "povo invisível" nas matas do país
https://www.youtube.com/watch?v=T9hSRn2UuF4

8) Mitã
https://www.youtube.com/watch?v=xiUbI17eNfE

9) Ditadura Criou Cadeias para Índios com Trabalhos Forçados e Torturas 
https://www.youtube.com/watch?v=FwSoU3r1O-Q

10) Vale dos esquecidos
https://www.youtube.com/watch?v=bmaaGjC4-Kg

11) Índios no Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=QQA9wuGgZjI

12) Indígenas, a luta dos povos esquecidos
https://www.youtube.com/watch?v=iOSUYeCD4tw

13) Terra Vermelha
https://www.youtube.com/watch?v=nOCFZWF_Wb4

14) Corumbiara
https://www.youtube.com/watch?v=QiBh5jNGSpI

15) Mbyá Reko Pyguá, a luz das palavras
http://curtadoc.tv/curta/comportamento/mbya-reko-pygua-a-luz-das-palavras/

16 DOCUMENTÁRIOS PARA DEBATER SAÚDE MENTAL E A LUTA ANTIMANICOMIAL

1) Saúde Mental e Dignidade Humana
https://www.youtube.com/watch?v=Ult9ePwpvEY

2) A Casa dos Mortos
https://www.youtube.com/watch?v=noZXWFxdtNI

3) Vozes da voz 
http://curtadoc.tv/curta/direitos-humanos/vozes-da-voz/

4) Holocausto Brasileiro : O impacto refletido na sociedade
https://www.youtube.com/watch?v=aqXd7k9fT6I

5) Em nome da Razao - O Holocausto Brasileiro 
https://www.youtube.com/watch?v=Hya1u-bRn8s

6) Profissão Repórter – Saúde Mental 
https://www.youtube.com/watch?v=1SG1g-7vSIc

7) Protagonistas- Tratamento Antimanicomial
https://www.youtube.com/watch?v=nxu8bfRMvpc

8) Caminhos da reportagem
https://www.youtube.com/watch?v=6zaOfJpOZMk

9) Dos Loucos e das Rosas
https://www.youtube.com/watch?v=dQMIUqj6tPw

10) Esta é minha casa
https://www.youtube.com/watch?v=zVrx7gPegek

11) Esquizofrenia – Entre o Corpo e a Alma
https://vimeo.com/20449439

12) Um encontro com Lacan
https://www.youtube.com/watch?v=S-QtbFaZjmw

13) Epidemia de Cores
https://www.youtube.com/watch?v=7YpW52hbTW4

14) Pára-me de repente o pensamento
https://www.youtube.com/watch?v=7pbgZz_fEBo

15) Estamira
https://www.youtube.com/watch?v=KFyYE9Cssuo

16) Autismos Entreditos
https://www.youtube.com/watch?v=oS4pC-cfjGM

Paul Craig Roberts: Trump conseguirá dar jeito na economia em 2017?

Portal Vermelho 
6 de Janeiro de 2017 - 14h51 

Paul Craig Roberts: Trump conseguirá dar jeito na economia em 2017?


O ocidente e a parte do mundo que 'repercute' as explicações ocidentais vivem num mundo de ficção.

Por Paul Craig Roberts*


 

 

Vê-se facilmente por todos os lados que se examinem – nas supostas maquinações que os russos teriam 'urdido' para eleger Donald Trump presidente dos EUA; nas supostas armas de destruição em massa que Saddam Hussein não tinha e que seriam ameaça aos EUA (uma nuvem-cogumelo sobre cidades dos EUA; que Assad da Síria teria usado armas químicas contra o próprio povo; que o Irã teria programa de armas nucleares; que uns poucos sauditas enganariam todos os serviços secretos de EUA, UE e Israel, para aplicar a maior humilhação de toda a história à "única superpotência mundial" [no ataque às torres gêmeas que, para PCR é 'serviço interno' (NTs)], que a Rússia teria invadido a Ucrânia e poderia a qualquer instante invadir os países do Báltico e a Polônia; que a taxa de desemprego nos EUA é de 4,6%; que o superávit comercial da China em relação aos EUA seria efeito de manipulação da moeda chinesa; e por aí vai e a lista é imensa.

Em teoria, viveríamos uma era científica de informação, mas que bem poderia advir de tanta informação sempre falsificada e orquestradamente repetida? Dado que as notícias falsas distribuídas pelos presstitutos e presstitutas das mídia-empresas atendem a poderosos interesses privados e de grupos dentro do governo... como se pode saber o que é fato, sobre coisa alguma?!

Por exemplo, considerem o que todos os jornais dos EUA e todos os serviços do estado no país 'noticiam' e repetem sem parar, de que déficit da balança comercial dos EUA em relação à China seria efeito de os chineses manipularem a moeda, mantendo o yuan desvalorizado em relação ao EUA-dólar.

É mentira, 'fato' inventado, o que não impede que até 'comentaristas' e 'analistas' midiáticos russos também repitam em incontáveis blogs e grandes jornais em russo. A moeda chinesa é ligada diretamente ao EUA-dólar. Move-se como se move o dólar. A China ligou sua moeda ao dólar para gerar confiança em sua moeda. Ao longo da década passada, a China ajustou a conexão de sua moeda ao dólar e permitiu que o yuan subisse de valor, de 8,1 yuan para 6,9 yuan por EUA-dólar. (O yuan chegou a 6 por dólar, mas um dólar ascendente estava arrastando consigo o yuan, o que levou a China a ampliar a margem de flutuação, para evitar supervalorização indevida, por causa do aumento do dólar em relação a outras moedas asiáticas e europeias.)

Como o crescimento do yuan seria "manipulação da moeda"? Não esperem resposta dos presstitutos e presstitutas da mídia-empresa financeira ou de economistas-lixo (categoria em que incluo todos os crentes da religião conhecida como 'economia neoliberal').

A serventia do mito da manipulação da moeda chinesa está em que ele oculta de todos o fato de que o déficit comercial massivo China-EUA (a favor da China!) é devido à evidência de que as empresas norte-americanas deslocalizaram para a China, suas fábricas que produzem para o mercado norte-americano. Quando as fábricas norte-americanas trazem de volta bens e serviços para serem vendidos nos EUA, eles entram como importações, o que infla o déficit na balança comercial. O mito da manipulação da moeda tira a culpa das empresas norte-americanas e a deposita nas costas da China. Na verdade, é efeito da volta para o mercado dos EUA, de produção deslocalizada para a China (de computadores Apple, por exemplo), que faz inchar o déficit na balança comercial nos EUA.

As empresas norte-americanas produzem fora dos EUA, porque a mão de obra é mais barata, o que resulta em maiores lucros, ações mais valiosas na mão dos acionistas e em bônus mais gordos para os altos executivos. Uma das principais causas das altas médias no índice Dow Jones e de índices cada vez piores de renda e distribuição de riqueza nos EUA é a deslocalização, para outros países, dos postos de trabalho. Em 2016, os mais ricos acrescentaram $237 bilhões ao que já tinham; enquanto o aumento na dívida estudantil e na dívida no cartão de crédito, combinado com a renda ou estagnada ou em declínio, deixaram os norte-americanos comuns ainda mais pobres. Durante o século 21, o endividamento das famílias norte-americanas subiu, de cerca de 70% do PIB, para cerca de 80%. A renda pessoal não aumentou correspondentemente ao aumento do endividamento pessoal.

A deslocalização dos postos de trabalho só beneficia um pequeno número de acionistas e executivos, e impõe massivo custo externo a toda a sociedade norte-americana. Estados manufatureiros antes prósperos estão já naufragados em depressão de longo prazo. O valor dos imóveis desabou, em áreas das quais as indústrias desapareceram. A base de arrecadação foi exaurida. Sistemas estaduais e locais de aposentadorias e pensões não arrecadam o suficiente para pagar o que devem. A rede de seguridade social fracassa.

Para ter ideia dos custos externos que a deslocalização das indústrias impõe à população dos EUA, veja na Internet as imagens de Detroit, antes poderosa máquina industrial, hoje em impressionante estado de decrepitude e miséria. Escolas e bibliotecas abandonadas. Prédios inteiros abandonados. Fábricas abandonadas. Residências abandonadas. Igrejas invadidas pelo mato. Aqui, um vídeo de 4 minutos. 

E não é só Detroit. Em meu livro The Failure of Laissez Faire Capitalism (Clarity Press, 2013) [O fracasso do capitalismo deLaissez-Faire, sem trad. para o Brasil], ofereço os dados do censo dos EUA de 2010. Detroit, antes a 4ª maior cidade dos EUA perdeu ¼ da população na primeira década do século 21. Gary, Indiana, perdeu 22%; Flint, Michigan, 18%; Cleveland, Ohio, 17%. Pittsburg, Pennsylvania, 7%; South Bend, 6%; Rochester, New York, 4%. St. Louis, Missouri, 20%. Todas essas foram o centro do poder da indústria e da manufatura norte-americanos.

Em vez de informar os fatos, os presstitutos e presstitutas 'especializados' em finanças na mídia-empresa e os 'economistas' da corrupta 'Economia' dos EUA ocultaram dos cidadãos os custos terríveis, sociais e externos da exportação massiva de empregos, sob a mentira de que a deslocalização seria boa para a economia. Em meu livro, dedico-me a desmascara serviçais de grandes empresas, como Matthew Slaughter (Universidade Dartmouth) e Michael Porter (Universidade Harvard), os quais, ou por incompetência ou por traição deliberada vivem de 'analisar' os grandes benefícios que chove(ria)m sobre os norte-americanos por terem os próprios empregos doados aos chineses e as próprias cidades entregues aos ratos, já convertidas em ruínas.

Ao longo de toda a história, os norte-americanos padeceram sob ondas e ondas de mentiras 'governamentais'. Mas só a partir do governo Clinton, durante os governos George W. Bush e Obama, a mentira oficial generalizou-se completamente, até que todos os fatos sumiram dos grandes jornais e redes de TV.

Considere-se o relatório de empregos do mês de novembro. Ali se lê que a taxa de desemprego teria recuado para 4,6% e que 178 mil novos postos de trabalho foram criados em novembro, que a 'recuperação' avança, etc., etc. Os fatos contam história muito diferente.

Aquela taxa de desemprego não considera desempregados que desistiram de procurar emprego. Procurar emprego sem jamais encontrar é caro, exaustivo, desmoralizante e depressivo. Em outras palavras: os desempregados estão sendo empurrados para a categoria dos desiludidos, muito mais depressa do que encontram trabalho. Por isso, a taxa oficial de desemprego 'diminui'. Além do mais, essa taxa suposta baixa de desemprego não é consistente com a taxa declinante de participação da força de trabalho. Quando há empregos, as pessoas entram para a força de trabalho para auferir os benefícios das oportunidade de emprego; e os índices da participação da força de trabalho aumentam.

O 'noticiário' inventado por presstitutos e presstitutas 'financeiros' só fazem ampliar o escopo das mentiras. Em novembro teriam aparecido 178 mil novos empregos. E pronto. Mas os dados distribuídos pelo Bureau of Labor Statistics mostra muitos aspectos muito problemáticos dos 'dados'. Por exemplo: só 9 mil, dos supostos 178 mil novos empregos, são empregos de tempo integral (definidos como 35 horas e mais, por semana). De setembro a outubro, sumiram 103 mil empregos de tempo integral; de agosto a setembro, sumiram 5 mil empregos de tempo integral. Ninguém nem tenta explicar por que a economia estaria extinguindo empregos de tempo integral, em tempos de 'recuperação'.

O quadro da distribuição dos novos empregos em novembro é, só ele, muito assustador: 77 mil dos empregos foram para trabalhadores com 55 anos e mais. Apenas 4 mil empregos foram para homens e mulheres de 25-34 anos, idade em que a maioria dos norte-americanos estariam constituindo família.

O estado civil dos desempregados também é preocupante. Em novembro, foram 95 mil homens casados com cônjuge presente empregados, a menos, e 74 mil mulheres casadas com cônjuge presente empregadas, a menos que em outubro. Em outubro, foram 331 mil homens casados e 87 mil mulheres casadas empregadas a menos, na comparação com setembro.

Dessas enormes diferenças mês a mês, pode-se concluir que as estatísticas oficiais não prestam. E é bem possível que não prestem. Por exemplo, como tanto repeti em relatórios sobre dados mensais sobre folha de pagamento, há sempre número crescente de novos empregos para garçonetes e balconistas de bares. Mas o movimento nos restaurantes caiu sempre, durante nove meses consecutivos. Por que os restaurantes contratariam mais empregados, com o movimento em queda?

Como John Williams (shadowstats.com) informou, é perfeitamente possível que os 'dados' das folhas de pagamento mensais não passem de agregação de estimativas de um modelo viciado de nascimentos/mortes com ajustes sazonais manipulados. Dito de outro modo, os números de 'novos empregos' podem não passar de fantasias estatísticas.

John Williams também chama a atenção para a possibilidade de os números do crescimento alegado do PIB serem simples subproduto de erro ou vício na aferição da inflação. Há alguns anos, as medidas da inflação foram "reformadas" para excluir aposentados e pensionistas de qualquer ajuste por aumento real no custo de vida. Em vez de um índice ponderado que calculasse o custo de padrão de vida real, introduziu-se o índice 'substituto'. No novo índice, se o preço de um item do índice aumenta, é trocado por outro item cujo preço tenha diminuído. Além disso, os aumentos são definidos como "aprimoramentos na qualidade". Claramente, aí está um índice desenhado para subconsiderar preços em ascensão.

Resumo: a suposta 'recuperação' que estaria em curso desde junho de 2009 pode não passar de fantasia estatística gerada por critério viciado para medir a inflação.

O que os norte-americanos esperam da economia em 2017? Primeiro, analisemos o contexto. A política do presidente Reagan para derrotar a estagflação entregou ao governo Clinton uma economia em bom estado. A economia norte-americana mais saudável não foi nada de perfeitamente ótimo, porque mascarou as consequências adversas da deslocalização dos postos de trabalho, que começou depois do desmonte da União Soviética, em 1991.

O desmonte da URSS encorajou uma mudança de atitude nos governos de Índia e China, na direção do capital externo. Wall Street e grandes varejistas como Walmart forçaram a relocalização para a China de grande parte da manufatura dos EUA, que foi também acelerada em seguida pelo crescimento da Internet de alta velocidade, com a deslocalização para a Índia dos empregos de mais alta qualificação tecnológica, como engenharia de software. Essas realocações dentro da atividade econômica dos EUA para outros países deixaram buracos na economia norte-americana e reduziu o número de oportunidades de trabalho para os norte-americanos.

A renda real média das famílias parou de crescer. Sem aumentos no gasto de consumo para puxar a economia, o Federal Reserve passou a usar um crescimento no endividamento dos consumidores, onde antes usava o já então falecido crescimento real médio das famílias. Mas o crescimento na dívida dos consumidores é limitado pela falta de crescimento na renda dos consumidores. Assim, uma economia que dependa da expansão do endividamento tem limitada capacidade para se expandir. Diferente do governo federal, o povo norte-americano não pode imprimir em casa o dinheiro de que precisa para pagar as próprias contas.

Tempos de governo Trump


Só ele – o único em todos que disputaram a presidência nos EUA –, o presidente eleito Ronald Trump pôs imediatamente o dedo na ferida da deslocalização de empregos, como ataque mortal contra o povo dos EUA e a economia norte-americana. Ainda não se sabe o que conseguirá fazer, porque a deslocalização de empregos atende a interesses fortíssimos de empresas globais e seus acionistas.

Há muitos anos as folhas de remuneração mensal mostram que os EUA estão em decadência, caminhando para valores de Terceiro Mundo, onde a maior parte dos chamados 'novos empregos' são empregos de baixa remuneração. As projeções de BLS para dez anos de dados sobre emprego mostram poucos novos empregos que exijam grau universitário. Se empregos de alto valor agregado e alta produtividade para a classe média alta não forem trazidos de volta para os EUA, o futuro da economia dos EUA é de declínio continuado, rumo a status de nação de Terceiro Mundo.

Considerando as limitações sobre o consumidor, grande parte dos lucros das empresas veio de cortes no custo da mão de obra, efeito da deslocalização das fábricas. Para empresas como Apple, cujos produtos são quase totalmente fabricados em fábricas chinesas, os lucros despencam, se os empregos tiverem de ser devolvidos aos EUA. Para manter os próprios lucros, a empresa Apple planeja substituir o trabalho chinês barato por robôs, que não cobram salários nem 'direitos'. Que exemplo mais eloquente da desconexão mortal entre capital e trabalho, que fábricas chinesas robotizadas em contexto de oferta excessiva de mão de obra?

O manual de economia de Samuelson ensinou-me sobre a falácia da composição: o que é bom para o indivíduo, pode não ser bom para a comunidade. Os economistas Keynesianos aplicaram isso às poupanças. Poupar é bom para o indivíduo, mas se a poupança agregada excede o investimento, a demanda agregada despenca, puxando para baixo a renda, o emprego e a poupança.

É o que se vê no caso da deslocalização dos postos de trabalho. Pode aumentar os lucros da firma, mas no agregado derruba a renda agregada da população e limita o crescimento das vendas. O que a deslocalização dos empregos faz nesse sentido, será feito muito mais rapidamente, muito mais completamente, pelos robôs.

Quando leio presstitutos e presstitutas economistas e comentaristas de economia glorificando a redução de custos que se obteria com robôs, me ocorre que podem ter enlouquecido completamente, sem que ninguém esteja percebendo (supondo que algum dia não tenham sido completamente doidos). Robôs não compram casa, mobiliário, eletrodomésticos, automóveis, bicicletas, comida, roupas, férias, entretenimento. Quando robôs ocupam os postos de trabalho, onde os humanos conseguem renda com a qual comprar os produtos produzidos pelos robôs?

Essa questão sempre deixada sem exame atento tem implicações extraordinárias para os direitos de propriedade e a organização social da própria sociedade. Ralph Gomory disse-me há alguns anos, que uma meia dúzia de pessoas detêm todas as patentes dos robôs. Assim sendo, em mundo robotizado não haverá problemas de distribuição de renda e riqueza. Tudo pertencerá a umas poucas dúzias de pessoas. Pensando bem... Que renda ou riqueza haverá, não importa se grande ou pequena? 

Só restará à humanidade, para sobreviver, voltar a ser agricultores e criadores autossuficientes, sem renda monetária para comprar as 'utilidades' que robôs produzirão. Com cada vez menos pessoas com renda suficiente para comprar a produção das fábricas robotizadas, secará a fonte de riqueza dos donos das patentes.

Estou convencido de que, se os robôs suplantarem o trabalho humano, as patentes terão de ser socializadas, e a renda distribuída de modo relativamente igualitário por toda a sociedade dos humanos.

Tudo isso considerado, Trump conseguirá dar jeito na economia em 2017?

Não haverá conserto possível, a menos que sejam repostos os degraus da mobilidade social para cima, que fizeram dos EUA uma sociedade da oportunidade. Será preciso trazer de volta os empregos para a classe média que foram exportados; ou, supondo que haja algum meio para criar empregos com alto valor agregado, impedir que os novos empregos sejam mandados para outros países.

Há um meio para fazer isso: adequar os impostos sobre empresas conforme a localização geográfica das fábricas onde as empresas acrescentem valor agregado ao que produzam para vender. Empresas que acrescentem valor agregado domesticamente, com trabalho de norte-americanos, pagarão taxas menores de impostos. Se o valor for agregado em país estrangeiro, os impostos cobrados sobem. É possível ajustar as taxas de modo a controlar os lucros auferidos fora dos EUA.

Apesar da propaganda a favor de alguma 'globalização' e 'livre comércio', a economia dos EUA foi inteiramente construída com protecionismo; e a força da economia dos EUA sempre esteve no mercado doméstico. A prosperidade dos EUA jamais dependeu de exportações. E, com o EUA-dólar como moeda internacional de reserva, os EUA nunca precisaram de exportações para pagar pelo que importamos. Só por isso os EUA suportaram até agora o déficit na balança comercial causado pela exportação de postos de trabalho.

O chamado 'globalismo' é efeito do conluio entre economistas-lixo neoliberais, atuando em cumplicidade com os grandes bancos, Wall Street e empresas multinacionais. O 'globalismo' é o disfarce 'contemporâneo' da antiga exploração de muitos a favor de poucos. Os supostos benefícios do globalismo foram usados para justificar a exportação de empregos, para enriquecer executivos de grandes empresas e acionistas.

O que importa sempre mais é a economia doméstica, não alguma economia 'global'. A população mais sofrida dos EUA finalmente compreendeu essa lição. E elegeu Trump.

Se Trump conseguirá levar ao ar sua "Fuga do Globalistão" [expressão cunhada por Pepe Escobar, ing. globalistan [NTs]? Trump pode, sim, perder essa guerra. O globalismo foi institucionalizado. As grandes empresas que exportaram a produção do que vendem para os EUA se oporão a qualquer movimento a favor de 'reimportar' os empregos. E assim também todos os fantoches que falam por elas nos cursos de Economia e na mídia financeira presstituta. Não sei até que ponto o globalismo pode ter-se enraizado na mente das populações na Ásia, África, América do Sul, mas na Europa – até mesmo, embora pareça que menos, na Rússia de Putin –, as população já foram vítimas de lavagem cerebral, e creem firmemente que não conseguirão sair do globalismo sem pagar alto preço econômico.

Considerem-se por exemplo os gregos. Em nome dos balancetes de uma meia dúzia de banqueiros norte-europeus (talvez também dos EUA), os povos grego e português foram empurrados para o mais furioso arrocho, chamado de 'austeridade' [do Brasil, então nem fala! (NTs)], o que resultou em desemprego tão alto, e padrões de vida de tal modo degradados, que muitas mulheres estão sendo empurradas para a prostituição, para não morrerem de fome. Esse efeito absolutamente não necessário, só aconteceu porque as populações e os governos naqueles países passaram por tal processo de lavagem cerebral que acabaram convencidos de que não sobreviverão como países independentes sem o 'globalismo' – e, no caso da Europa, sem se integrarem à União Europeia, que seria como que a 'concretização' do globalismo. 

Na Grã-Bretanha, 45% da população ainda padece de idênticos efeitos da mesma descerebração provocada.

O globalismo – a globalização – é a mais recente técnica pela qual o capitalismo saqueia e destrói. No mundo ocidental, a classe trabalhadora e a classe média são as mais violentamente saqueada, perdendo agora empregos e carreiras. Na Ásia, África e América Latina, comunidades inteiras já plenamente autossuficientes, veem suas terras invadidas e saqueadas e são obrigadas a voltar aos tempos da monocultura, como trabalhadores, para colheitas a serem exportadas. Países antes autossuficientes para a própria alimentação tornam-se dependentes de importar até o que comem, e as respectivas moedas, sobre as quais desaba todo esse peso, são alvos de infindáveis especulação e manipulação.

O que teria empurrado os governos, em todos os cantos do mundo, na direção de ensinar ignorância aos seus cidadãos, para assim os tornar alvos fáceis da propaganda e da manipulação? O ímpeto do imbecilismo capitalista universal? A corrupção e as propinas?

Jornalistas de vanguarda, como Chris Hedges, que já viu muita coisa e noticiou muitos fatos, concluíram que o destino do mundo está entregue a tão poucas mãos que só agem a favor de seus próprios autointeresses, que só a Revolução, maiúscula, ampla, irrestrita, conseguirá corrigir os desequilíbrios entre os interesses de uns poucos oligarcas e os interesse da massa humana. É quase impossível discordar dessa ideias de Hedges.

Trump, que inicia sua descida ao fundo do ninho de cobras que é Washington, D.C., não pode esquecer o que aconteceu ao presidente Jimmy Carter. Na verdade, a melhor coisa que Trump pode fazer para salvar seu governo, é passar algum tempo conversando com Carter, antes da posse.

Carter também era um outsider, homem de princípios, e oestablishment de Washington não o queria no governo. E reduziram tudo que ele poderia efetivamente fazer. Para isso, enquadraram o Diretor do Orçamento e o Chefe de Gabinete da Presidência [ing. chief of staff]. Podem fazer o mesmo, supondo que Trump consiga que o Senado confirme suas indicações, senado cujos membros estão hoje aliados com aCIA, contra Trump.

O Reaganites tiveram experiência similar. Reagan tinha experiência política do governo da Califórnia, o maior estado, mas era outsider na relação com o establishmentRepublicano, cujo candidato à indicação do Partido fora George H.W. Bush.

Reagan derrotou Bush na disputa pela indicação, mas foi instruído pelos Republicanos (que recordavam o desmonte de Goldwater, quando as forças de Rockefeller viraram-se contra ele por não pôr o Rockefeller derrotado como se vice-presidente, o que custou a Goldwater a eleição), a escolher Bush como vice-presidente. Sem isso, Reagan logo se veria, como Goldwater, concorrendo contra os dois establishments, o Democrata e o Republicano.

O primeiro governo de Reagan transcorreu com o principal agente de George H.W. Bush na chefia do gabinete da Presidência na Casa Branca. Por causa disso, tive muitos problemas como Secretário Assistente do Tesouro para Política Econômica, porque eu era o primeiro homem do pelotão a favor da oferta, na economia de Reagan.

Os dois establishments – dos Democratas e dos Republicanos – interessam-se muito mais em controlar o Partido que em promover o bem dos cidadãos e do país. Durante os quatro anos do governo Carter, o establishmentDemocrata não fez outra coisa que não fosse trabalhar para arrancar o controle do Partido, das forças que haviam posto um outsider dentro da Casa Branca. Durante os oito anos de Reagan, o establishment Republicano não fez outra coisa que não fosse trabalhar para arrancar dos Reaganitas o controle sobre o Partido Republicano.

É provável que agora Trump conheça todo o furor armado contra o qual se desenrolaram os governos de Carter e Reagan. Farão de tudo para forçá-lo a ceder e esvaziar a própria agenda de campanha. Ironicamente, esse ataque furioso contra Trump está recebendo o auxílio luxuoso de forças progressistas da esquerda, que teriam de estar defendendo Trump em nome dos interesses da classe trabalhadora, da classe média e a favor da paz com a Rússia. Muitos websites progressistas, de esquerda, já estão recolhendo fundos para fazer campanha contra e tornar impossível o governo de Trump.

Quer dizer: até quando conseguimos eleger um presidente que pode pelo menos tentar defender os interesses do povo dos EUA, que diz falar em nome do povo dos EUA, tantas vozes que dizem defender o mesmo povo... aliam-se à escória dos oligarcas dedicados a destruir Trump. 

O lado esquerdo do espectro sempre parece, exatamente como o lado direito, favorecer o que mais odeiam: Trump é bilionário? Não presta. Trump nomeou um magnata da energia? Não presta. Trump nomeou um general de 3 estrelas? Não presta.

A esquerda suposta liberal e progressista não consegue fazer mais ou melhor que repetir as mesmas críticas, não importa se mudarem os bobos da corte.

Claro que podem acertar. Mas, como já escrevi outras vezes, Trump escolheu nomes que sempre se posicionaram contra oestablishment. Mais que isso, todos são homens duros, sobreviventes dentro dos EUA, como Trump. E essa capacidade é indispensável para que tenham planos de conseguir fazer mudanças de cima para baixo. 

O diretor-presidente da Exxon quer negócios de energia, não guerras, com a Rússia. O general Flynn foi quem denunciou, pela TV, que Obama estava sustentando o ISIS com homens, dinheiro e armas, insistindo em derrubar o governo sírio, contra todos os pareceres da Agência de Inteligência da Defesa. O general Mattis foi o general daquele grau que contestou publicamente a efetividade dos métodos de tortura.

Todos os indicados de Trump são pessoas que desafiaram oestablishment. A velha cesta conhecida de indicados aprovados pelo establishment não são capazes de fazer mudanças em Washington, a favor do povo.

A esquerda liberal progressista deveria estar festejando a possibilidade de os EUA terem governo que não tenha saído diretamente do establishment. Mas parece ser só esquerda do Establishment, não mais que isso e tão oposta a Trump quanto o Republicano mais retrógrado.

Todos os dias recebo dúzias de pedidos de dinheiro para "ajudar a lutar contra Donald Trump". Que diabo pensam essas pessoas? Por que lutar contra alguém que todo oestablishment político dos EUA quer impedir que governe? Deviam, isso sim, estar trabalhando para ganhar a confiança de Trump e o direito de interferir na agenda de seu governo. Precisamente o que fez o general Mattis.

Não posso garantir que Trump não acabe como mais um fracasso e gigantesco desapontamento e patética enganação, feito Obama. Mas é grave erro partir do pressuposto de que assim será. Porque lutar tão freneticamente e tentar descartar de início o único norte-americano surgido em décadas, com coragem para pôr a própria vida em risco e chamar para a luta o imundo, corrupto, vicioso establishment de Washington?

Por que ajudar o establishment a derrotar Trump? Se Trump trair os norte-americanos, sim, então poderemos derrubá-lo. Podemos até decidir que Chris Hedges está correto, e só a Revolução pode fazer avançar a melhor solução.*****

*Paul Craig Roberts foi Secretário Assistente do Tesouro para Política Econômica de Ronald Reagan e editor associado do Wall Street Journal.

* Epígrafe acrescentada pelos tradutores [NTs].





 Fonte:  Global Research




Versão Clássica

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

23 mulheres inspiradoras que tornaram 2016 um ano melhor. Por Nathali Macedo

Diário do Centro do Mundo


Postado em 29 Dec 2016 

Listar as mulheres que mais me inspiraram em 2016 é a escolha mais difícil com a qual tive que lidar desde que precisei escolher uma profissão. 

É impossível listar todas – logo, é preciso escolher. 

Este foi o ano que me deixou atônita, como se mulheres incríveis brotassem consecutivamente em todos os lugares – na música, na internet, no jornalismo, no cinema, na política, nas escolas, nos realitys de culinária. 

Se não fosse de um prazer orgástico, teria sido difícil acompanhar todas. 

Portanto, por mais acusações (justas) que pesem contra 2016, ninguém pode lhe negar esse mérito: nós conhecemos mulheres fantásticas. As palavras mulher e poder estiveram juntas algumas vezes, e as palavras mulher e força estiveram juntas sempre.

Essa lista deveria ser quilométrica (mas ninguém teria paciência pra terminar de ler). 

Não fugi à tarefa quase masoquista de listar apenas algumas – em ordem alfabética, porque em ordem de preferência já é demais. 

1. Amara Moira – Em plena fogueira que se tornou a discussão em torno da prostituição – até mesmo internamente, no próprio movimento feminista – a escritora e doutoranda transexual Amara Moira lançou o livro “E se eu fosse puta?” em que conta, com uma sinceridade áspera e sob um viés no mínimo pouco visitado – o de que a prostituição deve ser debatida antes de ser demonizada – sua própria história de transição e prostituição. Corajosa, para dizer o mínimo. “E se eu fosse puta” é, aliás, uma leitura mais do que necessária.

2. Ana Júlia Ribeiro – A secundarista que protagonizou o discurso mais bonito e incisivo de 2016 tem só dezesseis anos – mas luta como mulher feita, e eu não poderia deixar de listá-la (se fizesse isso, talvez não conseguisse dormir). A estudante paranaense – que se tornou o rosto das ocupações de 2016 – deu aula de democracia aos deputados da Assembleia Legislativa do Paraná – e ao Brasil. Relembre aqui (https://www.youtube.com/watch?v=oY7DMbZ8B9Y). 

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3. Anna Muylaert – A cineasta Anna Muylaert é a cabeça por trás do premiado “Que Horas Ela Volta”. Através da história de Val (Regina Casé), e sua filha Jéssica – com a atuação brilhante de Camila Márdila – Anna toca com sensibilidade e precisão em pontos adstringentes – e sobre os quais pesa certa urgência didática – da classe média brasileira. O filme é de 2015, mas a representatividade artística e política de Muylaert é atemporal. 

4. Clara Averbuck – A escritora Clara Averbuck dialoga tão bem com esta geração que a sensação que se tem é que ela está – no auge de sua didática impecável – numa conversa amistosa com amigos chegados. Clara é uma das fundadoras do portal Lugar de Mulher e autora do romance “Toureando o Diabo” (além de muitos outros títulos) – não por acaso, a história de uma mulher e suas memórias. 

5. Cynara Menezes – Idealizadora do blog Socialista Morena, que, segundo ela mesma, é um espaço virtual de ideias e notícias com viés esquerdista. Mas também de literatura, música, cinema, HQ, humor, viagens.

A jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia já transitou por diversos veículos midiáticos, como Jornal da Bahia: Folha de S.Paulo, Estadão, revistas IstoÉ/Senhor, Veja, Vip e Carta Capital, e é atualmente colunista da revista Caros Amigos e do próprio blog: www.socialistamorena.com.br

6. Dilma Rousseff – Talvez o mérito mais notório da Presidenta Legítima – porquanto eleita democraticamente – seja o de não ter se acovardado em momento algum, mesmo pressionada e perseguida – diferente do que fizeram os golpistas. A honestidade de Dilma, em um país em que existem Geddel, Michel Temer e Eduardo Cunha (para ser sucinta nos exemplos), é digna de um prêmio. O Financial Times sabe disso, por isso premiou-a merecidamente como uma das mulheres do ano de 2016, ao lado de Beyoncè e Hilary Clinton. O Brasil lhe deve, além de um pedido de desculpas, todo respeito e admiração.

7. Djamilla Ribeiro – Filósofa, ela é uma das grandes representantes do feminismo negro da atualidade. É feminista, pesquisadora na área de Filosofia Política, colunista da Revista CartaCapital e recentemente foi nomeada secretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.

8. Elza Soares – O álbum “A Mulher do Fim do Mundo” é do final de 2015, mas, ao menos pra mim, significou o primeiro espanto positivo com o poder feminino em 2016. Além do mais, foi neste ano que Elza ganhou o Grammy Latino como melhor álbum de música popular brasileira (então tá valendo). 

Além do presente que são essas músicas, sobretudo para esta geração, Elza foi a personificação da representatividade, engajada em causas como as questões de gênero e raça. “Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim” e “A carne mais barata do mercado é a negra” deveriam ser hinos, se é que não já são. 

9. Emma Watson – Nem só de Hermione Granger vive Emma Watson. Além de atriz talentosíssima – ela ganhou nada menos que vinte e um prêmios durante sua carreira – Emma é Embaixadora da Boa Vontade da ONU para Mulheres, ativista feminista e agora professora da Universidade de Harvard. Como se não bastasse, recusou o espartilho no filme “A bela e a fera” – uma escolha no mínimo simbólica no que diz respeito ao enfrentamento à ditadura da beleza – e distribuiu livros feministas com dedicatória no metrô de Londres. Tradução literal do que eu quero ser quando crescer.

10. Fernanda Gentil – A talentosa apresentadora Fernanda Gentil merece o troféu quebradora de paradigmas 2016. Primeiro, respondeu com serenidade e elegância às críticas infundadas sobre o seu corpo. Depois, assumiu seu namoro com a também jornalista Priscila Montandon, resistindo invicta à onda de ataques lesbofóbicos dos quais foi vítima na internet e fora dela. 

11. Gleisi Hoffmann – A senadora Gleisi Hoffmann usou seu talento oratório e seu engajamento sagaz em prol da democracia e do Brasil. Foi uma das mais combativas ao golpe no Senado. Clara e firme em seus argumentos, fez com que Cristovam Buarque confessasse – não que todos já não soubessem – a principal motivação do golpe: Os golpistas não ganhariam nas urnas. 

12. Jandira Ferghali – Impossível esquecer a cena de Flávio Bolsonaro fingindo desmaio no debate da Band, após ser confrontado incansavelmente por sua oponente Jandira Ferghali. Jandira é uma daquelas mulheres de grelo duro que desmascaram – não que esta seja uma tarefa tão difícil assim – a covardia de certos homens (sexo forte?) da política brasileira. Como sendo, além de combativa, generosa e humana, Jandira – que também é médica – tentou socorrer Flávio durante o patético episódio, mas foi impedida pela falta de bom-senso de Jair Bolsonaro. 

Engajada em causas sociais, é autora da Lei Complementar que cria a Contribuição Social sobre Grandes Fortunas – que claramente seria uma solução possível para o Brasil, acaso Michel Temer não houvesse, em vez disso, optado pelo congelamento de gastos por vinte anos. 

13. Letícia Sabatella – Quando penso em Letícia Sabatella, me vem, primeiro, a imagem dela interpretando “Geni e o Zepelim” (e o arrepio que me dá todas as vezes em que assisto). Depois, a imagem de uma mulher serena, de tão segura – o cruzamento exato entre doçura, coragem e altruísmo. Como se não bastasse tudo o que Letícia sempre foi – talentosa, autêntica e politicamente engajada – ela preparou o elenco da peça “Haiti somos nós”. Atenção para a curva dramática: O elenco era formado por haitianos refugiados em São Paulo. 

14. Lola Aronovich – Lola Aronovich é uma das mais antigas blogueiras feministas de que se tem notícias. Ela é professora da UFC, doutora em Literatura em Língua Inglesa pela UFSC e escreve desde 2008 em seu Blog “Escreva, Lola, Escreva” (http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/) sobre cinema, literatura, política, mídia, e, segundo ela própria, sobre o que mais lhe der na telha, mas também e principalmente sobre feminismo. Em 2016, foi alvo de ameaças de morte por parte de “defensores dos direitos dos homens” – sim, você leu certo – que tentaram, em vão, silenciá-la. 

15. Luiza Erudina – Idade tem a ver com alma, dizem, e, se é assim, Erudina não tem os 82 anos que constam em sua carteira de identidade: O vigor é de vinte e poucos. Nenhuma retrospectiva 2016 que se preze pode esquecer dela sentando na cadeira de Eduardo Cunha – o gângster – pra impedir que o então Deputado atropelasse, não por acaso, uma votação de criação de comissões da Mulher, do Idoso, da Criança e do Adolescente, da Juventude e Minorias. Quero chegar aos 82 como ela: repetindo a plenos pulmões que “não queremos que nossas questões sejam decididas por homens”.

16. Madonna – Madonna é muito mais do que a rainha do pop: É uma figura emblemática e representativa, estética e politicamente. Ao aceitar o prêmio merecido de Mulher do Ano, ao invés de limitar-se a agradecer, falou sobre sexismo, misoginia e sua história de luta contra o abuso e a LGBTfobia.

17. Manuela D’ávila – A deputada Manuela D’ávila tem se tornado um ícone feminista na política brasileira. Ela levanta as bandeiras da diversidade sexual e do combate ao machismo – tendo criado uma cartilha que esclarece a questão dos relacionamentos abusivos – enquanto exerce o seu direito de amamentar a filha, a pequena Laura, inclusive em plenária. 

18. Marcia Tiburi – Graduada em filosofia e artes, mestre e doutora em filosofia (UFRGS, 1999) e colunista da Revista Cult, Marcia publicou diversos livros de filosofia, dentre eles “Como conversar com um fascista”, sucesso de público e crítica. Ela ofereceu análises lúcidas e didáticas sobre os diversos acontecimentos políticos – quais acontecimentos, afinal, não são políticos? – do país em 2016. 

19. MC Carol – Contrariando o elitismo intelectual de quem afirma que “funk não é cultura”, MC Carol nunca precisou abaixar a cabeça para os padrões da chamada boa música brasileira. Negra, gorda e periférica, ela é a própria personificação da representatividade das minorias. A funkeira, que, além dos padrões musicais, quebra também padrões estéticos e, porque não dizer, políticos, compôs a música “Delação”, um retrato cru e brasileiríssimo do cenário político do país. 

20. Nana Queiroz – Diretora de redação da revista AzMina – uma das revistas feministas que mais se destacaram em 2016 e finalista do prêmio “Troféu Mulher IMPRENSA”, é autora do livro “Presos Que Menstruam”, uma narrativa tocante e urgente sobre as encarceradas brasileiras. 

21. Rafaela Silva – O Brasil não esquecerá – a menos que seja muito ingrato – o nome da judoca Rafaela Silva, que trouxe o primeiro ouro para o Brasil nas Olimpíadas Rio 2016. Negra e pobre, Rafaela foi beneficiada pelo programa Bolsa Pódio, criado em 2011, durante o governo Dilma. O incentivo, somado ao talento e à perseverança inesgotáveis de Rafaela, tornaram-na exemplo de atleta e – como não deixaria de ser – de mulher. 

22. Vanessa Graziottin – Ao lado de Gleisi, a também senadora Vanessa Graziottin teve um papel crucial no embate entre defensores da democracia e defensores do golpe no Senado. Em razão de sua postura, ela foi atacada e silenciada pelo também Senador Renan Calheiros – tendo respondido sempre à altura. Foi ela, também, quem inquiriu Janaína Paschoal – que deveria estar na lista de mulheres “desinspiradoras” de 2016 – levando-a a confessar ter recebido 45 mil reais do PSDB pela petição do golpe. Ver mulheres como Vanessa e Gleisi no Senado renova nossas esperanças de mais mulheres – em quantidade e qualidade – ocupando os lugares de poder no Brasil. 

23. Viola Davis – A atriz Viola Davis é a primeira negra a ganhar o Emmy, mas isso não é tudo: Ao receber o prêmio, a protagonista de How to get away with murder fez um discurso inesquecível e com força política inquestionável: “Deixem-me dizer algo: a única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade. Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem”.

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Sobre o Autor
Colunista, autora do livro "As Mulheres que Possuo", feminista, poetisa, aspirante a advogada e editora do portal Ingênua. Canta blues nas horas vagas.