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sábado, 15 de julho de 2017

Principais mudanças da reforma anti-trabalhista

Principais Mudanças da Reforma Trabalhistas
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Assunto
Regra Atual
Nova Regra
Férias
As férias de 30 dias podem ser fracionadas em até dois períodos, sendo que um deles não pode ser inferior a 10 dias. Há possibilidade de 1/3 do período ser pago em forma de abono.
As férias poderão ser fracionadas em até três períodos, mediante negociação, contanto que um dos períodos seja de pelo menos 15 dias corridos.
Jornada
A jornada é limitada a 8 horas diárias, 44 horas semanais e 220 horas mensais, podendo haver até 2 horas extras por dia.
Jornada diária poderá ser de 12 horas com 36 horas de descanso, respeitando o limite de 44 horas semanais (ou 48 horas, com as horas extras) e 220 horas mensais.
Tempo na empresa
A CLT considera serviço efetivo o período em que o empregado está à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens.
Não são consideradas dentro da jornada de trabalho as atividades no âmbito da empresa como descanso, estudo, alimentação, interação entre colegas, higiene pessoal e troca de uniforme.
Descanso
O trabalhador que exerce a jornada padrão de 8 horas diárias tem direito a no mínimo uma hora e a no máximo duas horas de intervalo para repouso ou alimentação.
O intervalo dentro da jornada de trabalho poderá ser negociado, desde que tenha pelo menos 30 minutos. Além disso, se o empregador não conceder intervalo mínimo para almoço ou concedê-lo parcialmente, a indenização será de 50% do valor da hora normal de trabalho apenas sobre o tempo não concedido em vez de todo o tempo de intervalo devido.
Remuneração
A remuneração por produtividade não pode ser inferior à diária correspondente ao piso da categoria ou salário mínimo. Comissões, gratificações, percentagens, gorjetas e prêmios integram os salários.
O pagamento do piso ou salário mínimo não será obrigatório na remuneração por produção. Além disso, trabalhadores e empresas poderão negociar todas as formas de remuneração, que não precisam fazer parte do salário.
Plano de Cargos e Salários
O plano de cargos e salários precisa ser homologado no Ministério do Trabalho e constar do contrato de trabalho.
O plano de carreira poderá ser negociado entre patrões e trabalhadores sem necessidade de homologação nem registro em contrato, podendo ser mudado constantemente.
Transporte
O tempo de deslocamento no transporte oferecido pela empresa para ir e vir do trabalho, cuja localidade é de difícil acesso ou não servida de transporte público, é contabilizado como jornada de trabalho.
O tempo despendido até o local de trabalho e o retorno, por qualquer meio de transporte, não será computado na jornada de trabalho.
Trabalho Intermitente por período
A legislação atual não contempla essa modalidade de trabalho.
O trabalhador poderá ser pago por período trabalhado, recebendo pelas horas ou diária. Ele terá direito a férias, FGTS, previdência e 13o salário proporcionais. No contrato deverá estar estabelecido o valor da hora de trabalho, que não pode ser inferior ao valor do salário mínimo por hora ou à remuneração dos demais empregados que exerçam a mesma função. O empregado deverá ser convocado com, no mínimo, três dias corridos de antecedência. No período de inatividade, pode prestar serviços a outros contratantes.
Trabalho Remoto (Home Office)
A legislação não contempla essa modalidade de trabalho.
Tudo o que o trabalhador usar em casa será formalizado com o patrão via contrato, como equipamentos e gastos com energia e internet, e o controle do trabalho será feito por tarefa.
Trabalho Parcial
A CLT prevê jornada máxima de 25 horas por semana, sendo proibidas as horas extras. O trabalhador tem direito a férias proporcionais de no máximo 18 dias e não pode vender dias de férias.
A duração pode ser de até 30 horas semanais, sem possibilidade de horas extras semanais, ou de 26 horas semanais ou menos, com até 6 horas extras, pagas com acréscimo de 50%. Um terço do período de férias pode ser pago em dinheiro.
Negociação
Convenções e acordos coletivos podem estabelecer condições de trabalho diferentes das previstas na legislação apenas se conferirem ao trabalhador um patamar superior ao que estiver previsto na lei.
Convenções e acordos coletivos poderão prevalecer sobre a legislação. Assim, os sindicatos e as empresas podem negociar condições de trabalho diferentes das previstas em lei, mas não necessariamente num patamar melhor para os trabalhadores. Em negociações sobre redução de salários ou de jornada, deverá haver cláusula prevendo a proteção dos empregados contra demissão durante o prazo de vigência do acordo. Esses acordos não precisarão prever contrapartidas para um item negociado.
Acordos individualizados de livre negociação para empregados com instrução de nível superior e salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do INSS (R$ 5.531,31) prevalecerão sobre o coletivo.

Prazo de validade das normas coletivas
As cláusulas dos acordos e convenções coletivas de trabalho integram os contratos individuais de trabalho e só podem ser modificados ou suprimidos por novas negociações coletivas. Passado o período de vigência, permanecem valendo até que sejam feitos novos acordos ou convenções coletivas.
O que for negociado não precisará ser incorporado ao contrato de trabalho. Os sindicatos e as empresas poderão dispor livremente sobre os prazos de validade dos acordos e convenções coletivas, bem como sobre a manutenção ou não dos direitos ali previstos quando expirados os períodos de vigência. E, em caso de expiração da validade, novas negociações terão de ser feitas.
Representação
A Constituição assegura a eleição de um representante dos trabalhadores nas empresas com mais de 200 empregados, mas não há regulamentação sobre isso. Esse delegado sindical tem todos os direitos de um trabalhador comum e estabilidade de dois anos.
Os trabalhadores poderão escolher 3 funcionários que os representarão em empresas com no mínimo 200 funcionários na negociação com os patrões. Os representantes não precisam ser sindicalizados. Os sindicatos continuarão atuando apenas nos acordos e nas convenções coletivas.
Demissão
Quando o trabalhador pede demissão ou é demitido por justa causa, ele não tem direito à multa de 40% sobre o saldo do FGTS nem à retirada do fundo. Em relação ao aviso prévio, a empresa pode avisar o trabalhador sobre a demissão com 30 dias de antecedência ou pagar o salário referente ao mês sem que o funcionário precise trabalhar.
O contrato de trabalho poderá ser extinto de comum acordo, com pagamento de metade do aviso prévio e metade da multa de 40% sobre o saldo do FGTS. O empregado poderá ainda movimentar até 80% do valor depositado pela empresa na conta do FGTS, mas não terá direito ao seguro-desemprego.
Danos morais
Os juízes estipulam o valor em ações envolvendo danos morais.
A proposta impõe limitações ao valor a ser pleiteado pelo trabalhador, estabelecendo um teto para alguns pedidos de indenização. Ofensas graves cometidas por empregadores devem ser de no máximo 50 vezes o último salário contratual do ofendido.
Contribuição Sindical
A contribuição é obrigatória. O pagamento é feito uma vez ao ano, por meio do desconto equivalente a um dia de salário do trabalhador.
A contribuição sindical será opcional.
Terceirização
O presidente Michel Temer sancionou o projeto de lei que permite a terceirização para atividades-fim.
Haverá uma quarentena de 18 meses que impede que a empresa demita o trabalhador efetivo para recontratá-lo como terceirizado. O texto prevê ainda que o terceirizado deverá ter as mesmas condições de trabalho dos efetivos, como atendimento em ambulatório, alimentação, segurança, transporte, capacitação e qualidade de equipamentos.

Gravidez
Mulheres grávidas ou lactantes estão proibidas de trabalhar em lugares com condições insalubres. Não há limite de tempo para avisar a empresa sobre a gravidez.
É permitido o trabalho de mulheres grávidas em ambientes considerados insalubres, desde que a empresa apresente atestado médico que garanta que não há risco ao bebê nem à mãe. Mulheres demitidas têm até 30 dias para informar a empresa sobre a gravidez.
Banco de horas
O excesso de horas em um dia de trabalho pode ser compensado em outro dia, desde que não exceda, no período máximo de um ano, à soma das jornadas semanais de trabalho previstas. Há também um limite de 10 horas diárias.
O banco de horas pode ser pactuado por acordo individual escrito, desde que a compensação se realize no mesmo mês.
Rescisão Contratual
A homologação da rescisão contratual deve ser feita em sindicatos.
A homologação da rescisão do contrato de trabalho pode ser feita na empresa, na presença dos advogados do empregador e do funcionário – que pode ter assistência do sindicato.
Ações na Justiça
O trabalhador pode faltar a até três
audiências judiciais. Os honorários referentes a perícias são pagos pela União. Além disso, quem entra com ação não tem nenhum custo.
O trabalhador será obrigado a comparecer às audiências na Justiça do Trabalho e, caso perca a ação, arcar com as custas do processo. Para os chamados honorários de sucumbência, devidos aos advogados da parte vencedora, quem perder a causa terá de pagar entre 5% e 15% do valor da sentença. O trabalhador que tiver acesso à Justiça gratuita também estará sujeito ao pagamento de honorários de perícias se tiver obtido créditos em outros processos capazes de suportar a despesa. Caso contrário, a União arcará com os custos. Da mesma forma, terá de pagar os honorários da parte vencedora em caso de perda da ação. Além disso, o advogado terá que definir exatamente o que ele está pedindo, ou seja, o valor da causa na ação. Haverá ainda punições para quem agir com má-fé, com multa de 1% a 10% da causa, além de indenização para a parte contrária. É considerada de má-fé a pessoa que alterar a verdade dos fatos, usar o processo para objetivo ilegal, gerar resistência injustificada ao andamento do processo, entre outros. Caso o empregado assine a rescisão contratual, fica impedido de questioná-la posteriormente na Justiça trabalhista. Além disso, fica limitado a 8 anos o prazo para andamento das ações. Se até lá a
Multa
A empresa está sujeita a multa de um salário mínimo regional, por empregado não registrado, acrescido de igual valor em cada reincidência.
ação não tiver sido julgada ou concluída, o A multa para empregador que mantém
empregado não registrado é de R$ 3 mil por empregado, que cai para R$ 800 para microempresas ou empresa de pequeno porte.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Noam Chomsky: Sistema neoliberal coloca trabalhadores uns contra os outros.




Jornal do Brasil


O intelectual norte-americano Noam Chomsky destacou em entrevista nesta semana que o sistema neoliberal coloca os trabalhadores "uns contra os outros", e que os Estados Unidos estão correndo "em direção a um precipício". 
"O neoliberalismo vem colocando os trabalhadores do mundo em competição uns contra os outros, mas permitindo a liberdade do capital e, de fato, um alto grau de proteção para o capital", ressaltou Chomsky à rede de televisão russa RT, de acordo com o portal Opera Mundi
Chomsky afirmou ainda que o partido de Donald Trump tem se dedicado a destruir a vida humana. "A posição da ala selvagem do capitalismo norte-americano, o Partido Republicano, é realmente impressionante, eles estão realmente correndo em direção a um precipício."
O intelectual também alertou sobre as mudanças climáticas e a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris. "Os EUA estão correndo em direção ao precipício, enquanto o mundo está tentando fazer alguma coisa."

"A posição da ala selvagem do capitalismo norte-americano é realmente impressionante"
"A posição da ala selvagem do capitalismo norte-americano é realmente impressionante"

https://youtu.be/SOypecQRVCQ

Sauditas financiam fundamentalismo que os EUA guerreiam

Sauditas financiam fundamentalismo que os EUA guerreiam

08 de janeiro de 2015 às 23h19


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Comício do partido Aurora Dourada, da Grécia: a gente já viu este filme nos anos 30, com os comunistas no lugar dos imigrantes, inclusive muçulmanos
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por Luiz Carlos Azenha
2001. Universidade de Darul Uloom, Deoband, ao norte de Nova Delhi, na Índia — Eu e o cinegrafista Sherman Costa viemos conhecer a escola onde foi formulada a teologia do talibã. Uma mesquita novíssima ao lado do campus acaba de ser inaugurada. Nossa visita foi garantida por um excelente contato do nosso produtor indiano, Rajan. O jovem professor de informática que se dispôs a nos receber e ciceronear é mais aberto aos ocidentais, pelo envolvimento que tem com a internet. É através dela que os teólogos deobandi respondem a perguntas de fieis de todo o mundo. Eles buscam respostas sobre a interpretação do Alcorão para questões cotidianas.
Pergunto ao professor quem financiou a mesquita. Resposta: a Arábia Saudita. Trata-se da batalha travada no interior do islamismo, especialmente entre sunitas e xiitas. Montados no petróleo, os sauditas financiam a expansão de sua própria corrente do islamismo, o wahhabismo. Mas também dão dinheiro para outros sunitas dispostos a enfrentar os xiitas, especialmente os do Irã e do Iraque. É uma ironia que o dinheiro saudita financie, hoje, as principais correntes fundamentalistas, considerando que a Arábia Saudita é o principal aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio. Eram sauditas os autores do ataque às Torres Gêmeas, lembram-se?
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O poder da grana faz a mensagem saudita — que enfatiza uma interpretação ultraconservadora do Alcorão — chegar longe. Curiosamente, não atrai necessariamente os desesperados da periferia de Túnis ou do Cairo.i
Repercute especialmente entre os jovens da classe media baixa muçulmana, que encaram o desprezo dos europeus nas periferias de Paris ou Londres. Mais que uma saída religiosa, o fundamentalismo é uma porta de escape para se livrar do profundo sentimento de inferioridade. A humilhação privada e cotidiana nas ruas anda paralela à humilhação política e militar dos muçulmanos sob os Estados Unidos, Israel e os ocidentais.
Em Deoband, a universidade é uma válvula de escape para os filhos de agricultores pobres do interior da Índia. Aqui eles mergulham numa vida ascética. Não tem colchão, nem espelho, nem ouvem rádio, nem lêem jornal. As representações gráficas, inclusive do profeta, são banidas. O espelho seria um convite à vaidade, à egolatria, quando a ideia é justamente submeter o indivíduo à vontade maior, coletiva, da Ummah.
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Somos, os ocidentais individualistas da globalização consumista, uma ameaça à noção da comunidade. Por isso os estudantes nos olham extremamente desconfiados. Olhares de curiosidade — alguns, de ódio.
2003. Bagdá — Nosso motorista na capital iraquiana não é um fã de Saddam Hussein, mas acha que a invasão dos Estados Unidos, que se anuncia para as próximas semanas, será um desastre. Ele acha que acima de Saddam está o nacionalismo que une os iraquianos, independentemente de serem sunitas ou xiitas.
São resquícios do pan-arabismo. Aquele, do líder egípcio Gamal Abdel-Nasser. Houve, um dia, o sonho de uma grande nação árabe, socialista. Egito e Iraque chegaram a formalizar uma união, que nunca se concretizou. Ambos tiveram governos seculares e nacionalistas, um nacionalismo que pregava o controle dos recursos naturais (Suez e o petróleo, respectivamente).
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Talvez Sattar, o motorista, não tenha se dado conta de que a derrubada de Saddam tinha, também, esta dimensão: enterrar de vez o pan arabismo e seu nacionalismo que nunca interessou às potências ocidentais.
No Iraque, eu e o Sherman vimos pessoalmente a justificativa para os olhares de ódio em Deoband. Durante as sanções econômicas impostas pelas Nações Unidas ao Iraque, por mais de dez anos, a estimativa é de que entre 200 e 500 mil crianças tenham morrido por falta de comida e/ou de remédio. O sofrimento dos iraquianos comuns durante este longo período, raramente noticiado no Ocidente, enfureceu os muçulmanos quase tanto quanto o massacre de palestinos por Israel.
2008. Algum lugar do interior do Quênia, na África — Alguns matatus passam por nós na estrada. Estávamos a caminho da casa da família de Barack Obama.
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Os matatus são ônibus que fazem transporte urbano ou entre as comunidades. Costumam trazer as imagens de ídolos dos donos ou passageiros. Muhammad Ali. O imperador Haile Selassie. Osama bin Laden. Osama bin Laden? Perguntamos ao guia: como é que o autor de um pavoroso ataque contra civis, com mais de 3 mil mortes, pode ser idolatrado?
Ele nos respondeu que os muçulmanos locais tinham uma visão de longo prazo da História. Eles não se lembravam apenas do 11 de setembro. Tinham na memória a derrubada do governo nacionalista do Irã, a expulsão dos palestinos na nakba, o fracasso nos confrontos militares contra Israel, etc. etc. etc. Neste contexto, bin Laden tinha sido bem sucedido quando deu uma resposta às humilhações. Fiquei boquiaberto e calado, me perguntando se Obama, quem sabe, provocaria uma reviravolta na eterna “guerra ao terror”.
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2012. Karachi, Paquistão — Não, Obama não provocou uma reviravolta. Aquela geração lá de trás, que vi com o Sherman Costa em Deoband, cresceu. Cresceu testemunhando que neste mundo a resolução de conflitos se dá pela força. Pelo terrorismo. De estado ou assimétrico.
Há milhares de pessoas nas ruas e não é recomendado que circulemos à vontade na maior metrópole do Paquistão. Esta é a cidade em que o jornalista Daniel Pearl, do Wall Street Journal, foi decapitado. Padu e Lucas, os cinegrafistas, se misturam à multidão para fazer imagens. É um protesto de um grupo ultrafundamentalista, sunita, que denuncia os ataques de drones dos Estados Unidos contra civis. Suspeitos de terrorismo morreram, mas também morreram homens, mulheres e crianças que nada tinham a ver com a guerra de Washington.
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Um militar se aproxima para dizer que devemos abandonar as vestes ocidentais. Rumamos para o mercado para atendê-lo e compramos as longas batas tradicionais do país, nosso “disfarce”.
O Paquistão é um país pobre, que destina uma quantia considerável de recursos à manutenção de sua máquina militar. Bombas atômicas contra o inimigo número um, a Índia. Homens e fuzis contra o talibã, que quando interessava aos Estados Unidos o Paquistão ajudou a fomentar — era preciso afastar o “perigo comunista” do vizinho Afeganistão.
No Paquistão, a presença do Estado em serviços públicos é tão rala que Karachi está dividida entre milícias que representam interesses econômicos e religiosos.
Quando eu me sento com um líder sindical ligado ao agora minúsculo Partido Comunista local ele desabafa que nunca foi tão difícil militar: tanto o governo pró-Estados Unidos quanto os fanáticos religiosos que o combatem representam o feudalismo econômico. A luta social foi sequestrada pelo fascismo religioso, afirma ele na gravação.
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2013. Budapeste — O livro A ‘ameaça’ Cigana, editado por Michael Stewart, ocupa um lugar de destaque na vitrine da livraria. Logo vou entender o motivo. O partido Jobbik, de extrema-direita, está em ascensão na Hungria. Num contexto mais amplo, a extrema-direita cresce em todo o Leste Europeu.
Assim como o nacionalismo árabe não conseguiu dar resposta às demandas econômicas e perdeu espaço para o fundamentalismo religioso, aqui o neoliberalismo fracassou e é impensável uma guinada à esquerda — que encarnou até recentemente o colonialismo vindo de Moscou. O fracasso das reformas pós-queda do muro de Berlim se reflete nos números espantosos do desemprego. E na busca por bodes expiatórios.
Se apenas a Hungria retornasse ao seu passado pastoril, sem a “contaminação” dos ciganos e outros elementos “estranhos” ao corpo social…
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Com este discurso o Jobbik tem consistentemente obtido entre 15 e 20% dos votos. É um fenômeno regional. Na vizinha Ucrânia a extrema-direita já faz parte da coalizão governista. Russos e judeus são o alvo. Na Grécia, as tropas de assalto do partido Golden Dawn aterrorizam refugiados e imigrantes em geral. Perto deles, a Frente Nacional francesa e o Freedom Party holandês, que combatem a imigração e promovem a islamofobia, são moderados.
Comentaristas europeus atribuem a ascensão da extrema-direita aos efeitos persistentes da megacrise financeira que teve início em 2008 e afeta a economia de todo o mundo, inclusive muçulmano. Os extremos se encontram na Europa, em meio à crise.
Os irmãos Said e Cherif Kouachir, que cometeram a barbárie em Paris, são franceses. Um deles, preso anteriormente, declarou em seu julgamento que ficou ultrajado com a tortura cometida por soldados dos Estados Unidos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque. São de uma família tão vulnerável que ambos foram tirados de casa e ficaram sob os cuidados do Estado francês. Cherif fez parte de uma rede de recrutamento de militantes para lutar contra a coalizão que ocupou o Iraque.
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É como se fizessem parte ao mesmo tempo dos dois lados da moeda. Em ambos predomina a busca por soluções violentas para enfrentar o ambiente de degradação econômica e social.
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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Pobre Chico do Brasil doente. Por Carlos Motta.

Pobre Chico do Brasil doente, por Carlos Motta

"Acabaram as boquinhas no MINC. Hora de trabalhar!"

"Quantas dessas músicas ele comprou?! Todas?!"

"Será que vai ser via Lei Rouanet?"

"Fez tanta falta q nem notei"

"Petista desgraçado"

"Inútil"

"Chato pra caralho"

"Tá magro, ein? Tá parecendo um cubano"

"PQP. Vamos ter que aturar essa mala com aquelas músicas de merda."

"Grande merda."

"Um grande lixo"

"Como ele lança um disco de 6 em 6 anos. No próximo, depois desse, pode ter uma parceria inédita com FIDEL CASTRO."

"Vai lançar lá na corja do PT seu vagabundo."

"Vai ficar encalhado pois ninguém compra nada de corruptos!"

"Algum hino à corrupção?"

"Esperando o tiro"

"Envelheceu mal, puta nariz de Bozo, cara de velho mafioso nojentao."

"Cantor de merda... Esse esquerdista!"

"Recolha-se a sua insignificância seu pau dágua."

Os comentários acima, no Twitter, são a respeito da notícia da Folha de S.Paulo de que Chico Buarque vai lançar, depois de seis anos, um álbum com músicas inéditas.

Eles dão uma ideia do que se transformou o Brasil, ou ao menos parte dele, depois de anos de lavagem cerebral feita na população pelos meios de comunicação, ao mesmo tempo criminalizando uma organização política e reforçando a ideologia das classes dominantes.

Em qualquer país civilizado um artista como Chico Buarque está acima de disputas partidárias - um gênio como ele é tratado como tal, como uma instituição cultural que tem de ser louvada e preservada.

A obra de Chico Buarque, não só na música popular, mas na literatura, é imensa, atemporal e imorredoura.

Poucos artistas, talvez mesmo nenhum, tem sido capaz de expressar com tanta paixão e brilho a alma do povo brasileiro.

As manifestações de ódio de que ele é vítima não o desmerecem, pois são apenas isso, sintomas evidentes de uma patologia que parece atingir cada vez mais pessoas com o passar do tempo.

São também a prova de que o Brasil está se afastando, irremediavelmente, do caminho que leva à consolidação de uma autêntica nação: tudo aquilo que deveria ser motivo de orgulho para seu povo, por representá-lo, das mais variadas formas, é desprezado.

Fico imaginando, só para ficar no campo da música popular, o que seria do Brasil sem um Chico Buarque, um Tom Jobim, um Dorival Caymmi, um João Gilberto, um Gilberto Gil, um Caetano Veloso, um Ary Barroso, um Noel Rosa, um Cartola, um Lamartine Babo, um Adoniran Barbosa, um João Bosco, um Hermeto Pachoal, um Egberto Gismonti, um Baden Powell, uma Elis Regina, uma Elizeth Cardoso, uma Ivone Lara...

Ou se artistas de tal nível tivessem sido execrados por suas posições políticas, partidárias, e mesmo pela sua vida pessoal.

Está difícil suportar este Brasil Novo.

domingo, 2 de julho de 2017

O documentário "O modelo Temer", produzido pela rede de notícias da América Latina 'TeleSur', revela com detalhes como o golpe parlamentar que colocou Michel Temer no poder desmontou o projeto de políticas públicas que vinha sendo implementado no Brasil.

Veja:

https://www.facebook.com/story.php?story_fbid=10213136241101311&id=1253014968