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quarta-feira, 5 de junho de 2013
As razões secretas para não aprovar a Reforma Política ( I )
terça-feira, 4 de junho de 2013
UNE elege a pernambucana Vic Barros presidenta
Aluna de Letras na USP e natural de Garanhuns (PE), baixinha fã de rock e literatura ganha agora a vultuosa altura de sete milhões de estudantes e da mais antiga organização social do Brasil
O 53º Congresso da UNE terminou hoje em Goiânia com a eleição da nova diretoria e presidência da entidade. A maior organização de juventude do país elegeu a pernambucana Vic Barros, 27 anos, aluna de Letras na Universidade de São Paulo (USP) sua nova presidenta. Em um processo eleitoral que teve participação recorde e delegados representando 98% das instituições de ensino superior no Brasil, Vic foi eleita pela chapa “Bloco da unidade para o Brasil avançar, com 2607 votos (69%), dentro de um total 3.764 delegados credenciados.
As outras chapas concorrentes foram “Oposição de Esquerda da UNE”, com 618 votos (16,4%) e “Campo popular que vai botar a UNE pra lutar”, com 539 votos (14,3%)
O Congresso da UNE também definiu, no sábado os rumos e posicionamentos da entidade para os próximos dois anos, no que diz respeito à conjuntura nacional, educação e organização do movimento estudantil. Foi convocada, na plenária final, uma Jornada de Lutas para os meses de junho, julho e agosto, com a pauta central da Educação brasileira.
Em uma remota sala de aula de Garanhuns, no interior de Pernambuco, Tia Lélia escreve no quadro a palavra “reivindicar” e explica aos alunos da segunda série o seu significado. A pequena Virgínia, fascinada com a janela do mundo aberta pela carinhosa professora, leva o que aprendeu para uma redação, “Meu país Brasil”, que acabou entrando em um livro publicado com textos dos alunos.Tia Lélia estaria garantidamente encontrando as lágrimas no domingo, dois de junho de 2013, se estivesse na Goiânia Arena, a 2.115 quilômetros de Garanahuns, vendo o que aconteceu à pupila. Virgínia cresceu, virou Vic, e alcançou estatura ainda muito maior do que seus 1,53 de altura. Presidenta da União Nacional dos Estudantes, não somente aprendeu o significado da palavra reivindicar como transformou-se nele.
A baixinha Vic Barros, hoje morando em São Paulo e aluna do curso de Letras da USP, chega ao posto de maior liderança do movimento estudantil brasileiro, presidindo a mitológica entidade que, há 75 anos, é o exemplo máximo no país para ilustrar aquela lição da segunda série. Ela representa agora sete milhões de estudantes universitários do Brasil, sendo a quinta mulher a ocupar o cargo e figurando ao lado de personagens como o ministro Aldo Rebelo, o ex-governador de São Paulo José Serra, o senador Lindbergh Farias e o ex-ministro Orlando Silva.
De personalidade afável, porém forte, óculos e sotaque marcantes, fã de rock and roll e torcedora do Sport Club do Recife, Vic deixou Garanhuns para conhecer a cidade grande aos 13 anos, passando a adolescência na capital pernambucana. Não participou do grêmio do colégio nem do movimento secundarista, mas já aproximava-se sentimentalmente da política com a admiração a dois líderes de seu solo: Miguel Arraes e Luís Inácio Lula da Silva.
Seu primeiro curso superior foi Direito, no qual formou-se pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na fila da matrícula, recebeu um panfleto de uma reunião do movimento estudantil e, ainda caloura, já estaria disputando a eleição para o DA do seu curso. Perdeu a primeira mas, em veloz ascensão, acabou chegando alguns anos depois ao DCE da federal e posteriormente à presidência da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), em uma identificação completa com a militância e às causas da juventude. Sob sua gestão na UEP, os estudantes conquistaram a gratuidade na Universidade Estadual de seu estado, em 2009.
Insatisfeita com a ideia de encerrar sua vida acadêmica e admtindo ter procurado o curso de Direito muito em função das expectativas dos pais, mudou-se para São Paulo e permitiu-se outro sonho, explorar a paixão pela literatura, pelos versos, narrativas e possibilidades da palavra em um dos mais respeitados cursos de Letras do Brasil. Blogueira, sempre atenta à internet e às redes sociais, virou diretora de Comunicação da UNE e, no ano de 2012, garimpou o suado e merecido reconhecimento nacional dentro do movimento estudantil coordenando a Caravana UNE+10, iniciativa que percorreu universidades de todo o país para colher anseios e propostas da juventude em relação ao futuro do Brasil.
A UNE que Vic assume lhe permite, por gracejos do destino, representar exatamente aquela geração do movimento estudantil que mudará, para sempre, o futuro das milhões de outras tias Lélias e Virgínias que virão. Os 10% do PIB para a Educação, principal luta da entidade, poderão ser conquistados em sua gestão dependendo da mobilização e cobrança dos estudantes no processo do tramitação do Plano Nacional de Educação (PNE) no Congresso Nacional. Estão diretamente vinculadas, também, as lutas por 100% dos royalties do Petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação.
Feminista e contrária ao conservadorismo na sociedade e na universidade, espera ampliar na UNE os encontros de estudantes negros, de mulheres e da diversidade sexual. Filiada ao Partido Comunista do Brasil (PcdoB) e militante da União da Juventude Socialista (UJS), acredita que o Brasil pode avançar no debate sobre as drogas, espera denunciar o extermínio dos jovens negros e pobres, assim como lutar pela democratização dos meios de comunicação do país.
No que diz respeito à relação com o governo federal, promete mais radicalização e pressão, destacando a reivindicação imediata de 2,5 bilhões de reais no Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) e cobrando do ministro da Educação Aloizio Mercadante medidas para solucionar os problemas da expansão das federais já apontadas pela UNE. Outra prioridade que aponta, nos próximos dois anos, é atacar a desnacionalização do ensino privado no país, cada vez mais entregue aos grupos financeiros internacionais.
Com um horizonte complexo e desafiador à frente, Vic parece não se intimidar. A pequena de Garanhuns lembra constantemente do irmão Vinícius, que faleceu jovem, ainda aos 27 anos, para inspirar a sua própria ascensão. Maior ídolo da presidenta da UNE, ele deixou, segundo ela, o exemplo do envolvimento constante em causas coletivas, sociais, humanitárias, em tudo aquilo que pode, de certa forma, mudar o mundo.
Hoje ela cresce, dentro da UNE, sabendo que não está sozinha. Sua citação favorita, publicada no seu perfil do Facebook e extraída do romance único de Raduan Nassar, “Lavoura Arcaica”, atesta como 1,53 pode ser, definitivamente, a altura de uma pessoa enorme:
“A sabedoria está exatamente em não se fechar nesse mundo menor. Humilde, o homem abandona a sua individualidade para fazer parte de uma unidade maior, que é de onde retira sua grandeza”.
Da Redação
Caravana [ da Comissão Nacional de Anistia ] aprova anistia a três goianos
Caravana anistia três goianos
Com a participação de Paulo Abrão, Fábio Tokarski, Luiz Carlos Orro e Carol Stálin Pires Leal são anistiados
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, em sua 70ª Caravana Nacional, com a participação do seu presidente, advogado Paulo Abrão, aprovou, ontem, em Goiânia, durante a realização do 53º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), a concessão de anistia ao presidente do PCdoB em Goiás, Fábio Tokarski, ao ex-secretário municipal de Esportes e Lazer da Prefeitura de Goiânia, Luiz Carlos Orro, e ao ex-militante do Partidão (PCB), Carol Stálin Pires Leal. Os três foram perseguidos durante a ditadura civil e militar no Brasil (1964-1985).
Documentos hoje sob a guarda do Arquivo Nacional, em Brasília (DF), mostram que o extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), Polícia Federal (PF), Centro de Informações do Exército (Ciex) e Departamento de Ordem Política e Social (Dops-Goiás) monitoraram Tokarski de 1979 a 1989. Dez anos vigiado, preso e ameaçado pelos órgãos de repressão, vi-gilância e informação do regime civil e militar, denuncia o militante comunista. O prontuário, até então confidencial, reuniria 180 relatórios sobre a sua atuação política, sindical e popular.
Ele conta que os seus passos eram acompanhados na campanha em Goiás por Anistia Ampla, Geral e Irrestrita. A Lei 6.673 foi aprovada pelo Congresso Nacional em agosto de 1979. Mais: os arapongas registraram a sua presença no Congresso Nacional de Reconstrução da UNE, em Salvador (BA), no mesmo ano. O líder socialista relata que os agentes públicos anotaram a sua ida ao Encontro Nacional, em São Paulo, no Colégio Sion, em 10 de fevereiro de 1980, que fundou o Partido dos Trabalhadores (PT), ao lado do líder metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva.
Os relatórios reservados apontam que Tokarski teria sido um ativo militante do Movimento Goiano Contra a Carestia, nos anos de 1980, 1981 e 1982, que organizava manifestações contra os governos esta-dual e federal. Preto no branco: ele esteve também na criação da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), em Campinas (SP), no ano de 1981, e no Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), no Estado de São Paulo. No mesmo ano teria sido preso em pichação de muro contra os militares e por liberdades democráticas no País.
Em 1984, ele foi preso, pela Polícia Federal (PF), em São Paulo, ao lado de Eliomar Pires Martins, Odeth Ghannam, Adalberto Monteiro e Antônio José Porto Bandeira. Os dossiês contam intervenções suas na campanha por eleições diretas para a Presidência da República, em 1983 e 1984. A última eleição direta ao Palácio do Planalto ocorrera em 1960, lembra. Mas a emenda Dante de Oliveira, que propôs a volta das diretas, não obteve o número de votos suficientes no Congresso Nacional, informa. Eleição direta apenas no ano de 1989, recorda-se.
Em Minaçu, no ano de 1985, após o fim da ditadura civil e militar, o delegado Hilo Marques, teria colocado um revólver na cabeça do advogado Egmar Oliveira, que viria a ser depois vereador em Anápolis e vice-presidente da Comissão Nacional de Anistia. Egmar Oliveira estava dirigindo um carro de som em uma manifestação de trabalhadores rurais e acompanhado por Tokarski e pelo então deputado federal Aldo Arantes, que havia sido presidente da UNE no turbulento ano de 1961, à época da renúncia da “etílica vassoura” Jânio Quadros à Presidência da República.
Os registros dos órgãos de segurança informam nova prisão do dirigente comunista, já em plena legalidade (O PCdoB se tornou um partido legal no ano de 1985, sob o governo do presidente José Sarney), em 1987. Ao lado do militante socialista Wellington Fernandes, Tokarski foi parar atrás das grades durante uma manifestação de trabalhadores rurais, cercada na Avenida Anhanguera em Goiânia. Segundo ele, o advogado que lhe tirou da prisão era Jaime Máximo, já morto, que exerceu tempos depois o cargo de procurador-geral de Goiânia.
Militância
comunista
O advogado Luiz Carlos Orro era estudante de Jornalismo, na Universidade Federal de Goiás (UFG), quando foi flagrado, em 29 de maio de 1979, em Salvador (BA), no Congresso de Reconstrução da UNE. No mesmo ano ele havia ingressado no PCdoB, o partido que deflagrou a guerrilha do Araguaia (1972-1975), ocorrida no Norte de Goiás (atual Tocantins) e Sul do Pará e que deixara um saldo trágico de mais de 60 guerrilheiros comunistas mortos e desaparecidos. Ele presidiu à época do Diretório Acadêmico de Ciências Humanas, que incluía 11 cursos de Humanas.
Apesar de a sua primeira prisão ter ocorrido em 1974, aos 16 anos de idade, os agentes de informação o prenderam em 1979, durante uma greve de operários da construção civil, em Goiânia. Já em 1980, os prontuários registram que ele assumira, em 1980, a vice-presidência para a Região Centro-Oeste da entidade nacional dos estudantes. Não custa lembrar: o presidente da UNE era Aldo Rebelo (AL), atual ministro dos esportes do governo da presidenta Dilma Rousseff, frisa. A sua terceira prisão ocorreu em 1982, na invasão da Vila João Vaz, na Capital do Estado, diz.
"Em 1984, invadiram minha casa, mas fui preso em um local do PCdoB, algemado, espancado e enquadrado na Lei de Segurança Nacional (LSN) por tentar reorganizar um partido clandestino. O último suspiro da ditadura", desabafa. O acervo do Arquivo Nacional guardaria re-gistros de sua atuação política e socialista até o ano de 1989. "Nada mais, nada menos do que 101 dossiês", revela ao Diário da Manhã. Carol Stálin Pires Leal, também anistiado na sessão especial, de ontem, da Caravana da Anistia, foi militante do Partido Comunista Brasileiro, o PCB.
Sexto filho de Basileu Pires Leal, ele era estudante de Arquitetura da Universidade de Brasília (UNB), onde dirigia o Centro Acadêmico dos estudantes do curso. Preso em 1970, sofreu torturas. Ameaçado em 1973, fugiu para o exílio, ao Chile, de Salvador Allende. Com o golpe de 11 de setembro, deflagrado pelo general Augusto Pinochet, acabou preso e torturado no Estádio Nacional, em Santiago. Depois, obteve asilo na Suécia, onde concluiu o curso de Urbanismo, em Uppsälla. Com a anistia, voltou ao Brasil. Ele morreu, em 1989, em um acidente automobilístico: o seu último re-gistro nos órgãos de segurança e informação, relata, emocionada, a sua filha, Tatiana Leal.